O Paysandu chegou às duas últimas rodadas da primeira fase da Série C do Campeonato Brasileiro com uma fragilidade que deixou de ser apenas um problema pontual. A goleada por 4 a 0 para a Ferroviária, em Araraquara, escancarou novamente as dificuldades de um sistema defensivo que já vinha sendo pressionado ao longo da campanha.
Com 17 jogos disputados, o Papão sofreu 26 gols, número inferior apenas aos 29 do Maringá, atual 11º colocado. Entre os oito primeiros, ninguém sofreu mais gols que o Lobo. E há outro dado que chama ainda mais atenção: o Paysandu é o único integrante do G-8 com saldo negativo, com -1.
Conteúdo Relacionado:
- Paysandu leva 4 a 0 da Ferroviária e liga o alerta na Série C
- Derrota para Ferroviária faz Paysandu cair e apertar disputa pelo G-8
A diferença para os concorrentes é significativa. Ferroviária e Santa Cruz têm as melhores defesas entre os que estão na zona de classificação, com apenas 14 gols sofridos. Guarani levou 19, Brusque 19, Botafogo-PB 18, enquanto Inter de Limeira e Ypiranga sofreram 20 e 22, respectivamente.
Problema não está apenas na zaga
A exposição defensiva do Paysandu não pode ser explicada somente pelo desempenho dos zagueiros. O funcionamento coletivo também tem deixado a última linha vulnerável, principalmente quando o time perde o controle do meio-campo e não consegue recuperar a bola rapidamente.
Caio Mello, que ainda busca ritmo depois de conviver com problemas físicos, não conseguiu oferecer a regularidade esperada. Marcinho também enfrenta desgaste físico, enquanto Pedro Henrique tem sido sobrecarregado na função de volante e ainda convive com o excesso de cartões.
Contra a Ferroviária, o problema ficou ainda mais evidente. Os pontas Thalyson e Lucas Cardoso pouco contribuíram na recomposição e também não conseguiram produzir ofensivamente. Quando recebiam a bola, optavam pelo passe para trás, deixando o time sem profundidade e permitindo que o adversário avançasse.
O resultado é uma equipe desestruturada, que perde proteção na frente da área e acaba fazendo a zaga trabalhar em situações de constante desvantagem. A defesa vira o último elo de um problema que começa muito antes da área.

Desgaste pesa na reta final
O Paysandu chega às últimas rodadas também sentindo o peso de uma temporada desgastante. Fisicamente, o elenco acumula problemas, enquanto tecnicamente a equipe perdeu intensidade, confiança e capacidade de competir em alguns momentos das partidas.
Esse desgaste ajuda a contextualizar situações como as de Caio Mello, Marcinho e Pedro Henrique, além das baixas recentes. Não é apenas uma questão de quantidade de jogadores disponíveis, mas de um elenco que vem chegando ao fim da primeira fase com menos força para sustentar o modelo de jogo.
Viradas mascararam o problema
As reações protagonizadas pelo Paysandu na Curuzu também ajudaram a esconder essa deficiência durante parte da campanha. O time chegou a sair atrás por 2 a 0 em partidas nas quais conseguiu buscar a virada, transformando um problema estrutural em uma demonstração de força competitiva.
Só que a capacidade de reagir não elimina a necessidade de corrigir os erros que permitem ao adversário construir vantagem. Em Araraquara, diante de um rival direto pela classificação, o Paysandu não conseguiu repetir essas respostas e terminou derrotado por 4 a 0.

Contratações ainda não resolveram
O mercado também não produziu, até agora, a resposta esperada para aumentar a competitividade do elenco. Das quatro contratações realizadas recentemente, Carrerette é quem apresenta o melhor rendimento, mas o zagueiro também tem sido exposto pela fragilidade coletiva.
Pablo Ancântra teve uma boa estreia no setor ofensivo, mas caiu de produção nas partidas seguintes. O meia-atacante passou a alternar entre a titularidade e entradas no segundo tempo sem conseguir repetir o impacto apresentado inicialmente.
Radsley chegou com problemas físicos já conhecidos pelo clube e ainda não estreou. Lucas Rodrigues, por sua vez, entrou no segundo tempo contra a Ferroviária, mas teve pouco tempo em campo para uma avaliação mais consistente.
Nas laterais, o cenário também preocupa. Edilson, Bonifazi e Taboca, não vivem um bom momento defensivo, aumentando a dificuldade para proteger os lados do campo e diminuir a pressão sobre os zagueiros.

Desfalques aumentam o problema
Para completar o cenário, o técnico precisa lidar com baixas importantes. Kleiton Pego atravessa problemas pessoais e pediu para não ser relacionado, enquanto Marcinho sentiu a panturrilha e teve que deixar o jogo com 34 minutos de jogo.
Juninho também se tornou uma preocupação para o fim da primeira fase depois de torcer o joelho. A tendência é que o jogador não volte a atuar na fase classificatória, reduzindo ainda mais as opções disponíveis.
O Paysandu terá apenas duas oportunidades para corrigir a rota. O primeiro desafio será contra o Ituano, fora de casa, no sábado (22). Depois, o Papão recebe o Maringá pela última rodada da primeira fase.
Com 26 pontos e na sexta colocação, o Lobo precisa somar pelo menos quatro pontos nos dois jogos restantes para aumentar consideravelmente as chances de confirmar a vaga na segunda fase.
A classificação ainda está nas mãos do Paysandu. Mas, para avançar, será necessário fazer algo que o time pouco conseguiu durante a campanha: proteger melhor a própria área e parar de transformar a defesa em um problema recorrente.

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Comentar