Nem sempre o futebol respeita o roteiro que a torcida imagina ao entrar no estádio. Às vezes, ele impõe obstáculos, cobra maturidade e revela fragilidades que o entusiasmo tentava esconder. Foi assim no empate em 1 a 1 entre o Clube do Remo e o Amazônia Independente, neste domingo (15), no Estádio Baenão, resultado que encerrou a fase classificatória do Campeonato Paraense e confirmou o duelo contra o Águia de Marabá nas quartas de final, com mando de campo do adversário.
O empate arrancado aos 44 minutos do segundo tempo, com gol de Pavani, teve consequências diretas na classificação. O Remo terminou a primeira fase na quinta colocação, com os mesmos 10 pontos do Águia, que ficou em quarto lugar por ter mais vitórias (3 contra 2), após superar o Cametá por 1 a 0. Com isso, o confronto entre as duas equipes será disputado em mata-mata, com o jogo decisivo marcado para o Estádio Zinho de Oliveira, em Marabá, na próxima quarta-feira (18) ou quinta-feira (19). Já o Amazônia, que chegou aos seis pontos, terminou a competição na décima posição, escapando do rebaixamento.
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PRIMEIRO TEMPO
O futebol, por vezes, expõe com crueldade a distância entre a intenção e o gesto final. Nem sempre quem mais tenta é quem sorri por último, e foi sob essa lógica que o primeiro tempo se desenrolou no Baenão, onde o Remo, jogando mais uma vez com uma escalação inédita, encontrou dificuldades de entrosamento, criou as melhores oportunidades, mas desceu para o intervalo em desvantagem diante do Amazônia.
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Desde os primeiros minutos, o Leão mostrou disposição ofensiva, mas esbarrou na própria falta de conexão entre seus homens de frente. Ainda assim, foi o time azulino quem assustou primeiro, com Carlinhos finalizando colocado para boa defesa do goleiro Paulo. Monti também teve grande chance ao acertar a trave após bela tabela com Thalisson, e, no rebote, Carlinhos mandou muito perto, levantando a torcida azulina nas arquibancadas.
PÊNALTI PARA O MUIRAQUITÃ
Mas o futebol pune a desatenção. Aos 12 minutos, o Amazônia encontrou espaço em jogada rápida, e Gonzales acabou derrubado na área por Kawan. Na cobrança, Juninho bateu com precisão no canto esquerdo do goleiro Ivan e abriu o placar, silenciando momentaneamente o Baenão e colocando pressão sobre um Remo que, apesar de superior em volume, via o adversário ser mais eficiente.
O gol sofrido não diminuiu o ímpeto azulino, mas escancarou a falta de entrosamento da equipe alternativa. O Remo seguiu criando, como na sequência em que Igor Trindade salvou em cima da linha uma finalização que tinha endereço certo. Mais tarde, Carlinhos voltou a assustar em chute de fora da área, e Nico ainda tentou no rebote, parando novamente em Paulo, o nome do primeiro tempo.
PRESSÃO SEM EFICÁCIA
Na reta final, já sob uma chuva fina que caiu sobre o Baenão, a pressão aumentou. Monti teve nova oportunidade dentro da área, e Catarozzi mandou por cima no rebote, enquanto Pikachu e Carlinhos insistiam em jogadas individuais. Apesar da insistência e das chances criadas, faltou ao Remo o ajuste fino, o último passe preciso, a sintonia que transforma domínio em gol. Assim, entre vaias para o técnico Juan Carlos Osório e expectativa contida, o Leão foi para o intervalo atrás no placar. Punido não pela falta de tentativa, mas pela ausência de harmonia.
SEGUNDO TEMPO
Na volta do intervalo, o técnico Juan Carlos Osorio tentou corrigir os problemas da primeira etapa com as entradas de Pavani e Freitas, buscando dar mais presença ofensiva. Ainda assim, o Remo seguiu encontrando dificuldades para transformar posse de bola em chances claras. O Amazônia, por sua vez, quase ampliou logo no início, quando Samuel finalizou com perigo e obrigou Ivan a fazer boa defesa, mantendo o Leão vivo na partida.
Com o passar dos minutos, o jogo ficou mais nervoso e truncado. Freitas teve uma oportunidade em cabeceio firme após cruzamento de Catarozzi, mas o goleiro Paulo, novamente seguro, evitou o empate. O Amazônia respondeu em contra-ataques esporádicos, enquanto o Remo tentava, mais na base da insistência do que da organização, encontrar espaços na defesa adversária.
A entrada do experiente Panagiotis Tachtsidis, aos 33 minutos, trouxe novo fôlego ao time azulino, principalmente pela qualidade na bola parada. Mesmo assim, o tempo corria e a impaciência tomava conta das arquibancadas, com protestos direcionados ao treinador remista diante do desempenho abaixo do esperado.
Mas, quando a derrota parecia inevitável, surgiu o alívio. Aos 44 minutos, Panagiotis levantou a bola com precisão na área, e Pavani apareceu no momento certo, antecipando-se ao goleiro Paulo e cabeceando para o fundo das redes, decretando o empate. O gol evitou o revés e amenizou a tensão no Baenão, mas também deixou claro que, para seguir adiante no estadual, o Remo precisará apresentar muito mais quando reencontrar o Águia de Marabá no primeiro grande teste eliminatório da temporada.
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