A derrota por 2 a 1, de virada, para o Águia de Marabá não foi apenas mais um tropeço. Selou a eliminação precoce na Copa Norte e reforçou a sensação de que o planejamento do Clube do Remo para 2026 ainda não encontrou sustentação prática.
Desde o início da temporada, a diretoria adotou um discurso claro: priorizar a Série A do Campeonato Brasileiro. Para isso, montou um elenco numeroso e utilizou jogadores menos aproveitados na elite nas competições regionais, especialmente no Campeonato Paraense.
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O problema é que a estratégia não produziu estabilidade. O time alternou formações, não consolidou identidade e perdeu entrosamento. Quando os considerados titulares foram acionados na decisão do Parazão contra o Paysandu, o cenário não mudou. O rival ficou com o título e Juan Carlos Osorio acabou demitido após a derrota no primeiro jogo da final.
Os números do treinador colombiano mostram um desempenho competitivo, mas irregular. Em 13 partidas, foram 4 vitórias, 7 empates e 2 derrotas, com 20 gols marcados e 17 sofridos. Na Série A, somou três empates e uma derrota em quatro jogos, sem vencer.

Com Léo Condé, o discurso foi mantido. O rodízio seguiu como justificativa, inclusive na Copa Norte. O resultado foi a eliminação com uma rodada de antecedência: uma vitória, um empate e duas derrotas, campanha insuficiente para um clube do porte do Remo na região.
Os números de Condé também refletem dificuldades. Em 10 jogos, são 2 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, com 8 gols marcados e 13 sofridos. No Brasileirão, conquistou apenas uma vitória em sete partidas.

É verdade que, na Série A, o Remo apresenta momentos competitivos. A equipe consegue equilibrar jogos, cria oportunidades e em vários confrontos esteve próxima de vencer.
O problema é a incapacidade de transformar desempenho em resultado. Após 11 rodadas, soma 8 pontos, ocupa a 18ª colocação e está na zona de rebaixamento, com uma vitória, cinco empates e cinco derrotas. O ataque marcou 11 gols e a defesa sofreu 18.
No recorte geral da temporada, são 26 jogos, 6 vitórias, 12 empates e 8 derrotas, saldo negativo de 31 gols marcados contra 34 sofridos. O alto número de empates evidencia competitividade parcial, mas também a falta de imposição.
A tentativa de administrar prioridades custou caro. O Remo perdeu o estadual, caiu na Copa Norte e não consegue reagir na Série A. Restam Copa do Brasil e Brasileirão, competições de exigência máxima e margem de erro cada vez menor.
Mais do que a estratégia em si, o que pesa é a execução. O time alterna bons e maus momentos dentro da mesma partida, não consolida padrão defensivo e ainda busca consistência emocional para fechar jogos. O discurso de priorização só faria sentido se viesse acompanhado de resultados concretos. Mas, até aqui, os números não confirmam a promessa.

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