Nem o peso das arquibancadas lotadas nem a atmosfera tradicionalmente hostil do Baenão foram suficientes para evitar um resultado amargo: o Clube do Remo acabou derrotado pelo Cruzeiro, viu cair um tabu histórico de invencibilidade em casa contra a equipe mineira e ainda complicou sua situação no Brasileirão. Ao apito final, o clima foi de tensão, com vaias ecoando das arquibancadas e xingamentos direcionados ao técnico Léo Condé, refletindo a insatisfação da torcida azulina com o desempenho da equipe.
Com o resultado deste sábado (25), a equipe azulina permanece com 8 pontos, ocupando a 19ª posição e atravessando um momento delicado no Campeonato Brasileiro da Série A 2026. Já o Cruzeiro alcançou os 16 pontos e ganhou fôlego na tabela.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Rangel reforça confiança do Remo na Série A após triunfo em Salvador
- Remo x Cruzeiro: Após 32 anos, Baenão volta a receber jogo na Série A
- Renato diz assistir Re-Pa e elogia torcidas de Remo e Paysandu
QUEBRA DE TABU E BOM PÚBLICO
O resultado marcou um feito inédito para o Cruzeiro: foi a primeira vitória da equipe mineira sobre o Remo em solo paraense, em um duelo cuja história teve início há mais de cinco décadas, em 1972. Até então, o retrospecto em Belém era amplamente favorável ao Leão Azul: em seis confrontos disputados no estado, o time da casa havia conquistado quatro vitórias, enquanto os outros dois jogos terminaram empatados.
O confronto também ficou marcado pela forte presença da torcida azulina no Estádio Evandro Almeida. Ao todo, 11.993 torcedores compareceram ao Baenão, sendo 11.019 pagantes e 1.974 gratuidades, gerando uma renda de R$ 708.575,00.
PRIMEIRO TEMPO
Mesmo atuando fora de casa, o Cruzeiro impôs seu ritmo desde os primeiros minutos, valorizando a posse de bola e controlando as ações no Baenão. Já o Remo apostou em transições rápidas, tentando explorar os espaços deixados pela equipe mineira, mas encontrou dificuldades para se organizar ofensivamente e pouco ameaçou a meta defendida por Matheus Cunha ao longo da etapa inicial.
Quer mais notícias do Remo? Acesse o canal do DOL no WhastApp.
O jogo começou em alta intensidade, com o Remo buscando pressionar. Logo aos primeiros segundos, Jajá sofreu falta, dando o tom de um início movimentado. Na sequência, Yago Pikachu tentou surpreender em cobrança direta, mas mandou por cima do gol. O time azulino ainda teve outra oportunidade em bola parada após jogada de Marcelinho, mas a defesa cruzeirense conseguiu se reorganizar.
CRUZEIRO LEVA PERIGO
Com o passar dos minutos, o Cruzeiro passou a dominar as ações. Tentando acelerar o jogo, buscou ligações diretas com Kaio Jorge, mas a defesa remista, com destaque para Marlon, conseguia neutralizar as investidas iniciais. O Remo respondeu em uma escapada pela esquerda com Jajá, que encontrou Poveda; a jogada quase sobrou para Marcelinho, que não conseguiu concluir.
Aos poucos, o jogo ficou mais truncado, com faltas e disputas físicas. Christian parou Marcelinho com falta pela direita, enquanto o Cruzeiro seguiu rondando a área azulina. Em uma jogada perigosa, Kauã cruzou e obrigou o goleiro Marcelo Rangel a se antecipar para evitar o perigo. Pouco depois, um recuo errado de Kauã quase terminou em gol contra para o Leão, com a bola passando rente à trave.
GOL ANULADO DO LEÃO; GOL VÁLIDO DA RAPOSA
Cruzeiro chegou com ainda mais perigo aos 28 minutos, quando Bruno Rodrigues disputou bola na área, mas Marcelo Rangel brilhou ao evitar o gol. O Remo ainda tentou responder e chegou a balançar as redes em lance com Pikachu e Jajá, mas a arbitragem já havia marcado falta no goleiro adversário, anulando a jogada.
A insistência cruzeirense foi recompensada aos 33 minutos. Pela esquerda, Arroyo teve liberdade para avançar, cortou para o meio na entrada da área e finalizou cruzado, sem chances para Marcelo Rangel, abrindo o placar para a Raposa.
Após o gol, o cenário pouco mudou. O Cruzeiro manteve o controle da partida, enquanto o Remo seguiu encontrando dificuldades para articular jogadas ofensivas. No meio-campo, Zé Welison tentou acionar Zé Ricardo em levantamento, mas o volante não conseguiu dominar. Já nos minutos finais, Marcelinho acionou novamente Zé Ricardo, que se adiantou demais, cometeu falta em Romero e acabou advertido com cartão amarelo.
SEGUNDO TEMPO
Na volta do intervalo, o Remo tentou mudar o panorama da partida e partiu para cima do Cruzeiro logo nos primeiros instantes. Em uma das primeiras investidas, a bola foi alçada na área e Zé Ricardo caiu após choque com a marcação, mas a arbitragem mandou o jogo seguir, gerando reclamação dos azulinos.
Apesar da postura mais agressiva do Leão, quem levou perigo primeiro foi a Raposa. Kaiki Bruno cruzou com veneno, e a bola atravessou toda a pequena área sem encontrar desvio. Na sequência, o Remo respondeu em levantamentos para a área com Marcelinho e Mayk, mas a defesa mineira se manteve sólida.
REMO RONDA A ÁREA ADVERSÁRIA
A partida ganhou em intensidade, com o Remo rondando mais o campo ofensivo. Patrick chegou à linha de fundo e a bola sobrou para Jajá, que finalizou para fora, desperdiçando boa oportunidade. Pouco antes, Pikachu quase apareceu livre na segunda trave, mas não conseguiu completar. Em meio à pressão, Kauã Moraes acabou advertido após falta em Jajá.
O Cruzeiro, por sua vez, adotou postura mais reativa, mas não deixou de assustar. Romero arriscou de fora da área, exigindo defesa segura de Marcelo Rangel. Em outra boa chance, Arroyo recebeu dentro da área e finalizou de canhota, parando novamente no goleiro remista.
MUDANÇAS AO LONGO DA ETAPA FINAL
As mudanças começaram a alterar o ritmo do jogo. O técnico azulino promoveu as entradas de Jaderson, Leonel Picco, Diego Hernández e João Pedro, buscando mais presença ofensiva. Já o Cruzeiro respondeu com as entradas de Chico da Costa, Matheus Henrique e Sinisterra, mantendo a equipe equilibrada.
A reta final foi marcada por pressão do Remo e tentativas de administrar o resultado por parte do Cruzeiro, tanto que o goleiro Matheus Cunha chegou a ser advertido por retardar o jogo. Mesmo assim, a melhor chance continuou sendo da equipe visitante: Arroyo chegou a balançar as redes após boa jogada, mas o lance foi anulado por impedimento.
PRESSÃO SEM EFICÁCIA
Nos minutos finais, o Remo aumentou o volume e quase chegou ao empate. Em cobrança de escanteio de Diego Hernández, a bola sobrou para Alef Manga, que arriscou de fora da área para boa defesa de Matheus Cunha. Já nos acréscimos, após novo levantamento, Marcelinho escorou de cabeça e João Pedro ganhou da marcação, mas finalizou para fora, desperdiçando a última grande oportunidade.
Com seis minutos de acréscimos, o árbitro Wilton Pereira Sampaio encerrou a partida aos 51 minutos, confirmando a vitória do Cruzeiro por 1 a 0, mesmo diante da pressão final do Remo.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Comentar