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MODELOS DIFERENTES

Remo: por que naming rights do Baenão é menor que na Série B

Entenda como prazo, contrapartidas e exploração comercial ajudam a explicar valor menor em relação a clubes da Série B, como Náutico, Goiás e Botafogo-SP.

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Imagem ilustrativa da notícia Remo: por que naming rights do Baenão é menor que na Série B camera Descubra por que o contrato de naming rights do Baenão é inferior a outros da Série B, incluindo fatores de mercado e comparação de clubes. | Wagner Almeida/Diário do Pará

A oficialização do novo contrato de naming right do estádio Evandro Almeida, mantendo o nome Arena Banpará Baenão, trazida em primeira mão pelo DOL, reacendeu o debate sobre esse modelo de acordo no futebol brasileiro. Firmado entre o Banpará e a Associação Projetos O Retorno do Rei ao Baenão, o acordo prevê investimento de R$ 1,5 milhão, valor inferior aos contratos firmados recentemente por clubes da Série B, como Náutico, Goiás e Botafogo-SP.

A diferença, porém, vai além dos números. A comparação mostra que os contratos possuem características bastante distintas em duração, modelo de exploração comercial, exigências de infraestrutura e contrapartidas oferecidas aos patrocinadores.

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O valor menor está diretamente ligado ao fato de o Baenão não concentrar todos os jogos do Remo e oferecer menor potencial de exploração comercial do que arenas utilizadas integralmente por outros clubes.

No caso do Remo, o contrato tem vigência de 12 meses, podendo ser prorrogado mediante termo aditivo. Em troca do investimento, o Banpará mantém seu nome no estádio, além de receber um pacote de ações de marketing e relacionamento.

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Entre as contrapartidas previstas estão a instalação de letreiro na fachada do estádio, exposição da marca na lista de jogadores relacionados para os jogos, assinatura de programas da RemoTV, produção de conteúdo institucional sobre o Baenão, espaço lounge em fanfests, envio de e-mail marketing aos sócios, fornecimento mensal de cinco camisas oficiais e ingressos para ações de relacionamento.

Apesar do conjunto de entregas, o contrato não prevê investimentos obrigatórios em obras, modernização da arena, exploração comercial do estádio ou metas esportivas que possam elevar a remuneração ao patrocinador.

Exploração comercial explica parte da diferença

Uma das principais diferenças entre o contrato do Baenão e os acordos firmados por clubes da Série B está na possibilidade de exploração econômica das arenas.

No caso do Remo, o Baenão atualmente não concentra todas as partidas da equipe ao longo da temporada. Jogos de maior apelo costumam ser realizados no Mangueirão, reduzindo o potencial de exploração comercial contínua do estádio.

Esse cenário faz com que o contrato priorize contrapartidas de exposição institucional e ações de relacionamento, em vez da exploração direta do equipamento esportivo.

Na prática, o Banpará recebe visibilidade por meio da marca "Arena Banpará Baenão", conteúdos digitais, experiências com torcedores e ativações de marketing, mas o contrato não estabelece obrigações relacionadas à utilização comercial permanente da arena, realização de eventos ou investimentos estruturais no estádio.

Náutico atrela contrato a melhorias no estádio

O modelo adotado pelo Náutico é significativamente diferente. O clube pernambucano assinou contrato de duas temporadas com a Esportes da Sorte, no valor de R$ 9,6 milhões, podendo atingir R$ 12,5 milhões mediante metas esportivas, como títulos, acessos e classificações.

Além da mudança para o Estádio Esportes da Sorte Aflitos, o patrocinador financia a substituição completa da iluminação por LED, exigência da CBF para competições nacionais, e participa de investimentos destinados à modernização do complexo esportivo.

Nesse caso, o estádio passa a integrar o pacote comercial entregue ao patrocinador, agregando valor ao contrato.

Goiás atrela a resultados esportivos

O caso do Goiás representa um dos maiores contratos em negociação no país e possui características excepcionais.

A proposta prevê três anos de duração e remuneração variável conforme a divisão nacional disputada pelo clube: R$ 30 milhões por temporada na Série A e R$ 15 milhões na Série B. Se todas as condições forem atingidas, o acordo poderá alcançar R$ 90 milhões.

Além do direito de nome da Serrinha, o contrato inclui outras entregas comerciais, reforçando a exploração da arena como ativo econômico.

Athletic e Botafogo-SP apostam em contratos de longo prazo

Entre os clubes da Série B, também chamam atenção os modelos adotados por Athletic e Botafogo-SP.

O Athletic firmou contrato de quatro anos com o Sicredi, transformando o Estádio Joaquim Portugal em Arena Sicredi. O acordo acompanha um projeto de expansão da capacidade do estádio, que passou por obras para triplicar o número de lugares disponíveis.

Já o Botafogo-SP renovou os direitos de nome da antiga Arena Eurobike, que passou a se chamar Arena Nicnet. O contrato, estimado em cerca de R$ 6 milhões por cinco anos, envolve uma arena multiuso que já conta com camarotes corporativos, suítes, bares, estacionamento e espaços destinados a eventos, ampliando as possibilidades de exploração comercial da marca patrocinadora.

Modelos diferentes para realidades diferentes

Embora o contrato do Baenão tenha valor inferior aos acordos firmados por clubes da Série B, a comparação mostra que eles foram estruturados sobre premissas distintas.

Enquanto Náutico, Goiás, Athletic e Botafogo-SP negociam a exploração comercial de arenas que concentram seus jogos, recebem investimentos estruturais ou funcionam como espaços multiuso, o acordo do Remo é focado principalmente em visibilidade institucional, ações de marketing e relacionamento.

A própria utilização do Baenão ao longo da temporada ajuda a explicar essa diferença. Como parte dos jogos do clube é disputada no Mangueirão, o estádio azulino oferece menor potencial de exploração comercial contínua do que arenas que concentram todas as partidas de seus clubes, reduzindo naturalmente o valor financeiro de um contrato de naming rights.

Em outras palavras, o valor de um contrato de naming rights não depende apenas do tamanho da torcida ou da tradição do clube. O potencial de exploração comercial do estádio, a frequência de utilização da arena, a duração do contrato e as contrapartidas negociadas são fatores que pesam diretamente na precificação desse tipo de acordo.

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