Para Sérgio Pereira, de 41 anos, contador, perceber que o filho Kauã, de 15 anos, também havia se apaixonado pelo Clube do Remo não aconteceu em um único momento. A certeza veio aos poucos, entre pedidos para ir ao estádio, saudade nos jogos fora de casa e, principalmente, pela vontade de vestir o manto azulino.
Aos poucos, a relação entre pai e filho ganhou um significado que vai além do futebol. O estádio passou a ser também um lugar de encontro, onde Sérgio revive memórias que começou a construir ainda criança, ao lado do próprio pai, Isaias Pereira, e agora compartilha com Kauã.
"Os momentos que percebemos que o amor pelo Remo já está no nosso filho são a vontade dele de pedir para ir ao estádio, sentir saudades quando o time joga fora de casa, fazer parte do espetáculo da torcida e, principalmente, a companhia desde bem pequenininho, já querendo usar sempre o manto do Leão", destacou em conversa com o DOL.

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Uma paixão que cresceu junto
Kauã não chegou a acompanhar de perto os períodos mais difíceis da história recente do Remo. Quando ainda estava descobrindo sobre futebol, era pequeno demais para compreender a dimensão das dificuldades enfrentadas pelo clube.
Para Sérgio, porém, até os anos ruins poderiam ter servido para fortalecer ainda mais esse vínculo. A recompensa veio depois, com duas temporadas que ficaram marcadas na memória da família.
"A pior fase do Remo agradeço que ele não vivenciou muito pela idade de 1 até 4 anos. Mas, se tivesse acompanhado, com certeza o amor pelo Remo ficaria mais forte, pois foram anos muito difíceis para quem ama o clube. Logo depois, teríamos a recompensa", ressaltou.

E ela veio em dose dupla. Os acessos de 2024 e 2025 transformaram a relação da família com o futebol em uma sequência de lembranças que Sérgio ainda considera difícil de dimensionar.
Em 2024, o Remo chegou à fase decisiva da Série C sem aparecer entre os principais favoritos, mas conseguiu avançar em uma campanha que surpreendeu a própria torcida. No ano seguinte, veio outro acesso e a confirmação do retorno à elite nacional.
"Esses dois últimos acessos foram lembranças recentes espetaculares. Em 2024, o Remo nem estava cotado para se classificar, mas conseguiu por um milagre do futebol. O de 2025 idem, depois de uma grande reviravolta. Dois acessos consecutivos deixam o torcedor anestesiado de tanta felicidade, ainda mais acompanhado com o meu filho", exclamou.

O sonho de ver o filho na Série A
Agora, a família vive uma experiência que Sérgio esperou durante anos: ver o filho acompanhar o Remo na Série A. Aos 15 anos, Kauã teve a oportunidade de assistir ao clube enfrentar alguns dos principais times do futebol brasileiro. Para o pai, o momento representa uma espécie de recompensa por toda a caminhada construída juntos.
"Conversamos bastante desde o acesso do Remo para a Série A. Até brinco com ele: com 15 anos, conseguiu ver o Remo na principal divisão, jogando com os melhores times do Brasil. Espero que o clube consiga permanecer na elite para podermos ter vários momentos juntos no estádio, apoiando o nosso Leão Azul", pontuou.

Mais do que lembrar de resultados, Sérgio deseja que o filho carregue consigo as experiências vividas nas arquibancadas. Vitórias e derrotas fazem parte da história, mas o que permanece, para ele, é a companhia.
"Quando ele for adulto, só quero que ele lembre dos inúmeros momentos que já vivemos juntos pelo Clube do Remo, independentemente de vitórias ou derrotas. Pois trago isso desde os meus 5 anos, junto com o meu pai também no estádio, e tenho memórias incríveis. Espero que ele tenha as mesmas memórias desses anos todos frequentando o estádio comigo. Uma coisa é certa: nosso amor pelo Clube do Remo será eterno", finalizou.

No fim, a história de Sérgio e Kauã mostra que algumas paixões não são ensinadas. Elas são vividas. Passam pelo abraço depois de um gol, pela camisa usada com orgulho, pelo caminho até o estádio e pelas conversas antes e depois de cada partida.
E, quando o futebol deixa de ser apenas futebol, o resultado mais importante talvez seja justamente esse: uma memória que começou com um pai e agora continua com um filho.

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