O empate por 1 a 1 com o Internacional, no Beira-Rio, tem dois pesos diferentes para o Clube do Remo. Pelo contexto do jogo, buscar a igualdade aos 50 minutos do segundo tempo é um resultado importante. Pelo desempenho, porém, o time de Léo Condé deixa Porto Alegre com a sensação de que poderia ter produzido mais, principalmente diante dos espaços encontrados após o intervalo.
O Colorado começou melhor e precisou de apenas três minutos para abrir o placar, com Carbonero. O gol cedo desorganizou o Leão, que passou boa parte da primeira etapa tentando encontrar soluções para controlar Alan Patrick e a movimentação ofensiva do adversário.
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Os números ajudam a dimensionar a diferença. No primeiro tempo, o Internacional finalizou sete vezes e acertou duas no gol, enquanto o Remo teve cinco finalizações e conseguiu mandar somente uma na direção da meta. Os donos da casa também criaram as oportunidades mais perigosas antes do intervalo.
Mesmo assim, o Leão não deixou de chegar. Zé Welison, Marcelinho, Gabriel Taliari e Zé Ivaldo tiveram oportunidades, mas faltou precisão na hora de finalizar. O problema não foi apenas chegar pouco à área, mas não transformar as jogadas construídas em chances realmente perigosas.

Condé mexe e o Remo muda de comportamento
Léo Condé percebeu o problema no intervalo e fez duas alterações de uma vez: Vitor Bueno entrou no lugar de Leonel Picco, enquanto Galeano substituiu Marcelinho.
Na etapa final, o cenário mudou. O Remo aumentou a presença no ataque, finalizou sete vezes e acertou duas no gol, além de criar situações mais perigosas. As entradas de Vitor Bueno e Galeano deram mais dinâmica ao setor ofensivo e ajudaram o time a competir com o Internacional até os minutos finais.Vitor Bueno foi decisivo. Além do gol que garantiu o empate, o meia teve três finalizações, duas no alvo e criou uma grande chance. Também participou da construção de outras oportunidades, mostrando qualidade para encontrar os companheiros e dando ao Remo a criatividade que faltou em boa parte do primeiro tempo.
O meia foi justamente o jogador que faltou ao Remo em boa parte do primeiro tempo: alguém capaz de receber entre as linhas, acelerar a jogada e assumir a responsabilidade pela criação.

O problema: volume sem eficiência
Apesar da melhora, o Remo ainda precisa olhar para um problema que apareceu durante praticamente toda a partida: a dificuldade para concluir as jogadas. O time terminou com 12 finalizações, contra 11 do Internacional. Também teve cinco escanteios e chegou 10 vezes com a bola à área adversária. O problema é que apenas três chutes acertaram o gol.
Isso ajuda a explicar por que o empate demorou tanto para aparecer. O Leão Azul conseguiu construir volume, mas não necessariamente transformou esse volume em perigo proporcional.
No segundo tempo, por exemplo, Tchamba teve uma cabeçada muito próxima aos 36 minutos, Vitor Bueno finalizou duas vezes e Gabriel Taliari também teve oportunidade. O gol, porém, só saiu quando a partida já estava no fim, ou seja, não houve tempo para uma virada.
Internacional perdeu chances que poderiam decidir
E aqui está outro ponto importante da análise: o empate também passou pela ineficiência do Internacional. O Colorado criou três grandes chances, enquanto o Leão teve uma. Carbonero, Bernabei, Vitinho e Calebe estiveram envolvidos em oportunidades que poderiam ter ampliado a vantagem.
Marcelo Rangel também teve participação importante para manter o Leão vivo. O goleiro terminou com duas defesas e evitou que o time chegasse aos minutos finais precisando de um resultado ainda mais improvável.
O número não conta toda a história, mas ajuda a entender o jogo: o Internacional teve as chances mais perigosas, enquanto o Remo terminou com mais volume ofensivo do que qualidade de finalização.
Vitor Bueno muda o jogo e salva o Remo
Entre as substituições, ninguém teve impacto maior que Vitor Bueno. A nota 8,4 reflete uma atuação que foi além do gol. O meia entrou no intervalo, participou da construção ofensiva, finalizou três vezes, acertou duas no gol, criou uma grande chance e ainda deu a assistência para Tchamba na cabeçada que quase resultou no empate antes dos acréscimos.
No fim, foi justamente em uma bola parada que apareceu o empate. Vitor Bueno cobrou a falta com força, colocando a bola no canto e garantindo um ponto que, minutos antes, parecia escapar. Foi uma recompensa para a reação do segundo tempo, mas também um lembrete de que o Remo precisa ser mais eficiente quando consegue controlar o jogo.
O que Condé acertou e o que ainda precisa corrigir
Condé acertou ao não esperar o jogo se resolver sozinho. As mudanças no intervalo alteraram o comportamento do Remo e deram ao time mais presença ofensiva. A entrada de Patrick também ajudou na disputa física pelo meio, enquanto Alef Manga acrescentou velocidade na reta final.
Por outro lado, o primeiro tempo mostra que o treinador ainda precisa encontrar uma maneira de fazer o Remo entrar nas partidas com mais intensidade. O time demorou a reagir ao gol sofrido e permitiu que o Internacional acumulasse oportunidades.
Também há uma questão de equilíbrio. Quando passou a atacar mais, o Remo encontrou espaços, mas precisou correr riscos. O desafio de Condé será fazer com que o volume ofensivo apareça sem que a equipe perca a organização defensiva.

Um ponto que vale mais pelo contexto do que pela atuação
O empate mantém o Remo vivo na luta para sair da parte de baixo da tabela e, principalmente, interrompe uma sequência que poderia aumentar ainda mais a pressão sobre a equipe.
Mas o Beira-Rio mostrou duas versões do Leão. Um Remo cauteloso e pouco agressivo no primeiro tempo e outro mais corajoso, participativo e vertical no segundo.
A missão de Condé agora é fazer a segunda versão aparecer desde o início. Porque contra adversários mais eficientes, as chances desperdiçadas pelo Internacional podem não existir e aí o Remo precisará transformar o bom volume ofensivo em gols antes dos acréscimos.
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