
Três funcionárias da creche municipal Maestro Geraldo Vedovelho, no município de Mogi Guaçu, em São Paulo, foram afastadas da instituição por suspeita de doparem duas alunas com clonazepam, princípio ativo do medicamento Rivotril.
De acordo com os pais das crianças, a medicação foi dada no último dia 17, mas os responsáveis só levaram o caso à Polícia Civil na última quarta-feira (22), após apresentarem o resultado de exames toxicológicos feitos pelo Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em depoimento, a mãe de uma das meninas, Tainara dos Santos, de 25 anos, relatou que recebeu uma ligação da creche na manhã do dia 17 informando que sua filha havia batido a cabeça e que, por esse motivo, teria sido levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. "Ela estava delirando e não andava., Você colocava ela no chão, e ela não conseguia andar. Minha filha é ativa, não ia ficar assim com uma queda", declarou a mãe.
Um exame de raio-X feito na própria UPA comprovou que a versão contada pela creche não era verdadeira, já que a criança não apresentava nenhum tipo de trauma na cabeça. Sem sinal de melhora, a menina foi transferida para a Santa Casa no município e só recebeu alta na última segunda-feira (20). Após solicitação de exame toxicológico no hospital, foi constatado que havia presença de clonazepam no sangue da criança.
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Jéssica Aparecida Lima Pereira, de 33 anos, também viveu uma situação bem parecida com a filha. A escola ligou para a mãe informando que a menina estava "passando mal" e que havia sido levada para a UPA. A criança também passou por raio-X e nenhum trauma foi detectado. A menina também passou por exames toxicológicos que confirmaram a presença da medicação.
"Ela só voltou ao normal três horas depois", afirmou o pai da menina, Renato Alencar Fecundo, de 42 anos. Ele ainda deixou claro que não pretende mais deixar a criança na creche. "Ela poderia ter morrido", finalizou.
De acordo com a pediatra Sidney Volk da Silva, do Hospital de Clínicas da Unicamp, o uso de clonazepam só é indicado para crianças em duas situações: em ambiente hospitalar, como sedativo, ou em tratamentos de crises convulsivas, diante de prescrição meédica.
"Mesmo na dosagem correta, há risco de efeitos colaterais, como sonolência e amnésia. Uma dosagem maior pode afetar a respiração e provocar até uma parada cardíaca", afirma a pediatra.
O caso foi registrado como lesão corporal na Delegacia de Mogi Guaçu.
A Prefeitura informou que as três funcionárias envolvidas no caso vão ser afastadas "até que todos os fatos sejam devidamente apurados".
(Com informações do Portal do Holanda)
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