O ministro de Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, falou pela primeira vez sobre a reportagem da revista Veja, publicada esta sexta-feira (05), que repercute os áudios revelados pelo jornal “The Intercept”, e que mostram um conluio entre o então juiz e membros da força-tarefa da Lava-Jato para incriminar Lula.
O ex-juiz se manifestou dizendo que “não vê nada de ilícito” na última mensagem revelada – apesar de não confirmar a veracidade da mesma – em que estaria, supostamente, pedindo ao Ministério Público a inclusão de uma prova no processo de um réu.
De acordo com o ministro, a mensagem teria sido entre os dia 16 ou 17 de fevereiro, sendo que no dia 19 começaria o recesso do Judiciário. “Que ilícito existe em um pedido desses?”, indagou.
Segundo Moro, alguns meses depois, ele mesmo teria atendido a pedido para conceder prisão domiciliar a esta mesma pessoa devido a problemas de saúde. Essa ação teria sido, conforme ele, contra a posição do Ministério Público. Mais tarde, o ministro, que à época atuava na condição de juiz, absolveu o réu.
“Se a mensagem é verdadeira e eu mesmo absolvi essa pessoa, então não é questão de parcialidade, mas, sim, de esquizofrenia”, disse Moro, ao falar sobre o processo citado pela Veja, envolvendo o operador Zwi Skornicki.
Em um dos diálogos vazados, o procurador Deltan Dallagnol teria avisado à procuradora Laura Tessler de uma orientação de Moro para tornar uma peça processual mais robusta. O processo era contra o réu Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo, e um dos principais operadores de propina no esquema de corrupção da Petrobras. Skornicki tornou-se delator na Lava-Jato e confessou que pagou propinas a vários funcionários da estatal, entre eles Eduardo Musa, mencionado por Dallagnol na conversa.
No dia seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) incluiu um comprovante de depósito de 80 mil dólares feito por Skornicki a Musa. Moro aceitou a denúncia minutos depois do aditamento e, na sua decisão, mencionou o documento que supostamente havia pedido.
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