Parece ficção científica, mas é pura realidade que nos próximos anos a ciência vai envolver a criação de porcos geneticamente modificados para transplantar órgãos para seres humanos. Quem lidera o projeto científico é a geneticista brasileira Mayana Zatz, que também é professora titular de genética do Instituto de Biociências da USP. Reconhecida nacional e internacionalmente, Mayana foi destaque no 8º Fórum LIDE de saúde e bem-estar, realizado na última segunda-feira (22) em São Paulo.
Durante a palestra, a geneticista apresentou e explicou sobre os avanços no xenotransplante, área de transplante de órgãos entre diferentes espécies e isso pode encurtar a espera de pacientes que necessitam de órgãos.
“Os porcos são os animais que têm órgãos mais semelhantes aos seres humanos. Porém, se transplantássemos o órgão de um suíno, ele seria imediatamente rejeitado. Com a tecnologia de edição de genes, poderemos alterar os genes dos porcos para que eles sejam doadores sem haver rejeição no corpo humano.”
Para os especialistas essa seria uma descoberta inovadora que beneficiaria os pacientes que muitas das vezes ficam esperando a anos por um órgão.
Segundo Mayana, alguns testes já foram realizados com o coração de porcos. Transplantados em macacos, os animais têm sobrevivido por meses. Além da semelhança com órgãos humanos, os porcos possuem alto índice de reprodução, têm uma gestação de menos de 4 meses e alcançam a maturidade sexual em até seis meses.
O projeto ainda está na fase inicial de três anos. E de acordo com a geneticista, os transplantes em seres humanos estarão tecnicamente prontos para serem realizados após esse período, mas ainda é difícil estimar quando serão uma realidade na medicina brasileira.
“Ao invés de esperar a morte de um doador, que pode, ou não, ser compatível, o médico poderá encomendar órgãos para o paciente. A ideia é iniciar os testes com transplantes de rim em pacientes que não têm doador. ”
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