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CRIME AINDA É MISTÉRIO

Cafetina diz que dívida motivou morte  em motel de ex-gestor da Sefaz

Foi adiado o júri popular da cafetina Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, de 28 anos, acusada pela morte de um ex-superintendente da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) do Mato Grosso do Sul, Daniel Nantes Abuchain. A vítima foi assassinada a facada

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Imagem ilustrativa da notícia Cafetina diz que dívida motivou morte  em motel de ex-gestor da Sefaz camera Reprodução

Foi adiado o júri popular da cafetina Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, de 28 anos, acusada pela morte de um ex-superintendente da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) do Mato Grosso do Sul, Daniel Nantes Abuchain. A vítima foi assassinada a facadas dentro de um motel, no dia 19 de novembro de 2018, e as investigações do caso deixam os policiais intrigados.

O júri, que seria realizado no próximo dia 9 de agosto, foi adiado porque os advogados da cafetina alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que estaria no quarto de motel com Fernanda e Daniel. A defesa da cafetina também diz que o ex-gestor foi morto por causa de dívidas.

Inicialmente, ao ser detida, dois dias após o crime, Fernanda alegou à polícia que havia cometido o crime sozinha, motivada por vingança a um possível assédio cometido por Daniel contra a cafetina e a namorada dela.

Daniel e Fernanda tinham uma relação próxima e já haviam ido juntos ao mesmo motel onde ocorreu o crime.


Cafetina é a principal suspeita do crime cometido em motel. Foto: Arquivo Pessoal

Mudança de versão

Após ser presa, a cafetina mudou a versão sobre o crime e alegou que havia mentido por medo: ela disse que Daniel foi morto por um homem que a obrigou a convidar a vítima para o motel.

Segundo Fernanda, o homem a abordou com uma arma, na rua, e a obrigou a dirigir até a casa de Daniel. Ela convidou o ex-gestor para ir ao motel, dentro do carro dela, uma caminhonete Mitsubishi Pajero.

A cafetina afirmou que, já no carro, ao lado de Daniel, contou que estava sendo coagida por um homem, e o ex-gestor teria dito que “já imaginava quem era a pessoa”.

O suspeito teria entrado no carro de Fernanda quando o casal parou em um semáforo. “Ele bateu na janela e o próprio Daniel me autorizou a abrir”, disse a mulher.

Ela, então, dirigiu para o motel, seguindo as ordens do tal suspeito. No caminho, os dois homens discutiram muito, sempre falando de dívidas. Daniel ainda tentava acalmá-la, afirmando que resolveria toda a situação.

“Estava com muito medo, nunca vivi isso na minha vida, coisa de filme”, relatou a cafetina.

Cafetina diz que dívida motivou morte  em motel de ex-gestor da Sefaz
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Ex-superintendente foi morto a facadas e teve corpo desovado. Foto: Arquivo Pessoal

Fernanda disse que, apesar de portar uma arma de fogo, suspeito também andava com uma faca na mão. Ele orientou a cafetina a pagar a conta com antecedência e a comprar uma toalha extra. Fernanda afirmou que depois de entrar no motel escondido no carro, o suspeito obrigou Daniel a tirar a roupa e entrar no banheiro.

Apontando a arma para ela, mandou que aumentasse o som e voltou para onde o ex-superintendente estava. Ele teria tentado se defender, mas morreu esfaqueado. Enquanto isso, Fernanda afirma que chorou de joelhos no chão do quarto.

Sozinho, o verdadeiro assassino, segundo a cafetina, levou o corpo de Daniel para o banco da frente da caminhonete. Mais uma vez, seguindo as ordens do suspeito, pediu aos funcionários para que deixassem o portão aberto e seguiu na direção indicada por ele, ouvindo ameaças de que também seria morta.

Para o promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, o que chama atenção é a quantidade de versões para o mesmo crime apresentadas pela ré, quatro segundo ele.

“São quatro histórias que tem ponto vulnerável. Uma história difícil de firmar. O que você vê, é que quando o acusado é inocente ele é firme nas afirmações e até mesmo agressivo na produção de provas, e sustenta o que fala até o fim”, pontuou o promotor.

“Você percebe que tem algo estranho quando o pé enrugado da vítima foi o ponto de partida para identificar que eles foram a um motel. Você não enruga a pele do pé simplesmente ao tocar a água, o que mostra que teve tempo suficiente para isso acontecer. Até o momento não tem nenhum elemento forte para comprovar essa terceira pessoa, e que se existiu, foi um auxílio”, defendeu o promotor.

O crime

O crime aconteceu em Campo Grande, no dia 18 de novembro de 2018. Conforme relatos de funcionários do motel, localizado no bairro Noroeste, em Campo Grande, Fernanda chegou ao local conduzindo o veículo Pajero, acompanhada por Daniel, no banco do passageiro. “Ela estava nervosa e ele parecia estar tranquilo”, relataram os funcionários.

A mulher seguiu para o quarto, mas demorou menos de 30 minutos para pedir a conta. Ao ver que Fernanda saiu, a recepcionista afirmou que ligou para a camareira e questionou se estava tudo bem, já que não viu Daniel no banco do passageiro. A camareira relatou que o quarto estava cheirando sangue e que Fernanda pagou com três notas de R$ 50 com algumas manchas de sangue.

O corpo de Daniel foi localizado em meio a um matagal próximo a Uniderp Agrárias, enrolado em uma toalha, com a pele muito branca e pés enrugados. O carro foi localizado em Bonito e Fernanda foi presa no dia 20 de novembro após ser expedido mandado de prisão contra ela.

A Polícia Civil trabalhou com apoio de imagens de câmeras de segurança, em momentos que mostram Fernanda na casa de Daniel e depois os dois saindo na Pajero, sentido ao motel, onde aconteceu o crime. Também foram localizadas mensagens trocadas por eles via WhatsApp.

A polícia afirma que Fernanda entra em contradição muitas vezes em relação ao crime. Primeiro, afirmando que matou ele sozinha no carro por ser assediada por Daniel várias vezes. Depois, a mulher diz que estava sendo ameaçada por um homem e foi forçada a cometer o crime.

Na época dos fatos, a polícia informou que Fernanda não teria força suficiente para matar Daniel, que pesava 80 quilos e carregá-lo até o porta-malas, cogitando a possibilidade de um comparsa.

(Com informações dos portais Mídia Max e Campo Grande News)

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