A Justiça dos Estados Unidos e do México têm o mesmo desejo de levar a julgamento o mexicano José González Valencia, preso no Brasil desde dezembro de 2017, por crimes relacionados ao narcotráfico internacional. Agora caberá ao STF (Supremo Tribunal Federal) decidir para qual dos dois países ele será extraditado. O caso tem a relatoria do ministro Celso de Mello da corte brasileira.
Foram os EUA os primeiros a pedirem a extradição do traficante. O pedido chegou ao STF em junho de 2017, seis meses antes de sua prisão pela PF. Três dias após ser preso, quando ainda estava detido na carceragem da PF em Fortaleza, o criminoso conversou por telefone com um cônsul mexicano no Brasil por 21 minutos. Em março do ano passado, o pedido do governo mexicano para prender e extraditar La Chepa chegou ao STF.
Em um despacho inserido ao processo, em fevereiro de 2019, o ministro Celso de Mello observou que o Ministério da Justiça e da Segurança Pública não havia enviado ao STF a documentação completa do pedido do México e determinou que o titular da pasta, Sergio Moro, esclarecesse o que realmente aconteceu.
Defesa prefere o México
Os advogados de La Chepa defenderam, em petição ao STF, que o cliente seja extraditado para o México. Isso porque a Lei de Migração determina que quando mais de um Estado requerer a extradição da mesma pessoa em caso de crimes diversos terá preferência o Estado requerente em cujo território tenha sido cometido o crime mais grave, segundo a lei brasileira. No Brasil, o crime de homicídio é mais grave do que o tráfico de drogas.
Porém, os Estados Unidos fizeram primeiro o pedido de extradição e os compromissos internacionais firmados pelo Brasil de combater o narcotráfico internacional, e ao que tudo indica que ele será extraditado para os EUA. As embaixada americana e do México não quiseram se manifestar sobre o caso. A PGR (Procuradoria-Geral da República) deve emitir um parecer sobre o caso.
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