A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo isentou os 31 policiais envolvidos na ação que resultou na morte de 9 jovens em um baile funk na favela de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, em dezembro do ano passado. O órgão da PM pediu o arquivamento do processo.
Na conclusão do inquérito da PM divulgado nesta sexta-feira (7), o capitão e corregedor Rafael Oliveira Cazella considerou a ação policial legal, alegou que os policiais mataram porque agiram em legítima defesa. O documento afirma que o grupo também não praticou nenhuma infração militar.
O subcomandante da PM de São Paulo, coronel Fernando Alencar Medeiros, referendou as conclusões do inquérito, que será enviado ao Ministério Público, que decidirá sobre a necessidade de novas diligências e determinará o arquivamento ou apresentará uma denúncia. Além do inquérito da Corregedoria, a Polícia Civil também investiga a ação que terminou com a morte dos jovens.
Há duas versões sobre o caso: a da polícia e a de testemunhas. Segundo a PM, os 9 jovens mortos teriam morrido pisoteados após criminosos entrarem no baile atirando contra policiais que os perseguiam, provocando, assim, o tumulto.
De acordo com a corporação, os agentes foram recebidos no local com arremessos de objetos como garrafas e pedras. As equipes de Força Tática responderam então lançando munições químicas para dispersão.
Parentes das vítimas e participantes do evento contestam essa versão. Testemunhas disseram que os PMs cercaram o baile e impediram a dispersão das pessoas. O cerco então levou quem estava na rua a correr para uma viela, provocando as mortes. Alguns também contradizem a versão de que 2 homens de moto teriam entrado no baile disparando. Vídeos divulgados na internet por moradores da favela também mostram agentes agredindo e encurralando diversas pessoas desarmadas e indefesas, inclusive deficientes físicos.
A ação foi condenada pela CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA (Organização dos Estados Americanos), que pediu uma investigação “séria, imparcial e eficaz dos fatos“.
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