Lideranças protestaram contra uma ação militar planejada para derrubar e capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Os membros registraram o repúdio em uma carta divulgada no domingo (10).
O documento é assinado por 23 nomes, entre eles está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).
No manifesto, também representam o Brasil o ex-chanceler Celso Amorim, o ex-ministro Aloizio Mercadante e a jurista Carol Proner. Entre os líderes estrangeiros, assinaram o ex-presidente do Equador, Rafael Correa; o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo; o ex-premiê da Espanha, José Luiz Rodríguez Zapatero; e o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper.
O Grupo de Puebla foi criado em 2019 e também conta com a participação do presidente da Argentina, Alberto Fernández, único político em exercício a integrar a organização. Em abril, o conjunto protestou contra os embargos econômicos dos Estados Unidos contra Cuba e Venezuela, durante reunião em que Lula discursou pela primeira vez perante o grupo.
Agora, o grupo volta mais uma vez a sua atenção aos venezuelanos, após mercenários coordenados pela empresa americana Silvercorp USA tentarem invadir o país vizinho para capturar Maduro. A incursão ocorreu nos dias 3 e 4 de maio, no entanto, os paramilitares foram flagrados pelas forças bolivarianas e a ação resultou em oito mortes e mais de 40 prisões. Entre os detidos, estão dois veteranos de guerra americanos, Luke Denman e Airan Berry.
Nas redes sociais, Dilma Rousseff divulgou a carta na íntegra e afirmou que “a Venezuela é alvo de um bloqueio genocida contra o seu povo”. Ela acusou ainda o governo Bolsonaro de apoiar “uma escalada de agressões à Venezuela liderada por Trump”.
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A decisão do governo de expulsar 34 servidores diplomáticos da @EmbaVEBrasil foi um ato ilegal e desumano, por afrontar acordos internacionais que o Brasil assinou e por retirar famílias de suas casas em meio à epidemia. STF vetou o ato por 10 dias, e devia fazê-lo em definitivo
— Dilma Rousseff (@dilmabr) May 11, 2020
De acordo com o jornal espanhol Diario ABC, o plano teria sido debatido por meses antes entre o dono da Silvercorp USA e ex-soldado dos EUA, o americano Jordan Goudreau, e o assessor do deputado antichavista Juan Guaidó, Juan José Rendón.
Em um documento de 41 páginas obtido pelo veículo europeu, Goudreau se comprometeu a “planificar e executar uma operação para capturar, deter e derrubar Nicolás Maduro, derrubar o atual regime e instalar o presidente reconhecido da Venezuela, Juan Guaidó”, em uma missão que custaria 212 milhões de dólares.
Outra reportagem, publicada pelo jornal americano The Washington Post, também sustentou que o plano tinha o objetivo de sequestrar Nicolás Maduro.
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