Custando quase R$ 10 o quilo, o feijão é um dos produtos que mais encareceu a cesta básica do paraense nos últimos meses. Um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Pará) apontou que, mesmo em tempos de crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, o preço da alimentação do paraense segue em alta. No mês passado, o feijão comercializado no Pará apresentou uma elevação de 25% em relação ao mês anterior, sendo o quarto mais caro do País.
Na rede de supermercados Líder, um comunicado foi fixado na gôndola do produto, dizendo aos clientes que “o preço do feijão tem aumentado exageradamente nos últimos dias em todo o comércio”. A placa diz ainda que o produto não vai faltar e que o aumento é “especulativo dos produtores”. “Só temos uma forma de fazer o preço recuar: diminuindo o consumo. Se for possível, faça isso, substituindo por outros alimentos”. Lá, o valor, do tipo rajado cavalo, chegou a R$ 9,98 no dia de ontem (8).
Segundo o Dieese, a cesta básica elevou em 4,42%, chegando a custar R$ 453,36, comprometendo quase metade do salário do trabalhador assalariado. A maioria dos produtos que a integram apresentaram aumentos de preços, com destaque para o feijão. Semanalmente, o Dieese efetua pesquisas de preços do quilo do produto dos tipos carioquinha, jalo e o cavalo em supermercados da capital paraense.
Nos últimos 12 meses, o produto teve altos e baixos no valor. Em maio de 2019, o quilo foi comercializado, em médio, a R$ 5,50 e encerrou o ano custando, em média, R$ 5,49. No início deste ano foi comercializado, em média, a R$ 5,91; em fevereiro custava, R$ 5,14; em março foi vendido a R$ 5,11; era encontrado, em média, a R$ 5,56, em abril. E no mês passado estava custando, o valor superior de R$ 8,17. No balanço comparativo de preços médios dos cinco primeiros meses deste ano, de janeiro a maio, o reajuste acumulado no preço do produto alcançou mais de 40%.
ENTRESSAFRA
Técnico do Dieese, Everson Costa, ressaltou que a maior dificuldade é que mais de 70% dos produtos consumidos pelas famílias paraenses vêm de fora e estão sujeitos, entre outras coisas, à sazonalidade.
Para Jorge Portugal, presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Pará (Aspas), o principal motivo do aumento expressivo no quilo do feijão se deve ao período de entressafra. Ou seja, tem a ver com sazonalidade, quando se produz menos aquele produto, o que motiva a elevação de preço. “Falta a oferta do produto e o mercado funciona na lei da oferta e da procura. Com pouca oferta, aumento de preço. A produção de feijão está escassa, nesse período. Isso está acontecendo em todo o país”, garante.
Portugal acredita que a partir de julho o feijão comece a reduzir de preço. “O arroz teve aumento, o trigo e seus derivados também, como as massas, macarrão. Mas o trigo foi em função do dólar, já que o Brasil importa, não é autossuficiente em trigo. No caso do feijão, não tem como reduzir o preço. É esperar passar esse período de entressafra. O nordeste e o centro-oeste são os maiores produtores de feijão. Esse aumento de preço está a nível nacional. Tem estado em que está até mais caro”, salientou o presidente da Aspas.
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