Mais de 140 formulações criadas a partir de diferentes conceitos já estão sendo testadas em seres humanos, mesmo antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar a Covid-19 como uma emergência de saúde pública de importância internacional. As informações são da Revista Galileu.
A busca por uma vacina começou em diversas partes do mundo.
Cinco estados e DF vão participar de testes da vacina
Para o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) Esper Kallás, que coordena no Brasil o ensaio de fase 3 com a Coronavac, "ter várias vacinas contra a Covid-19 aprovadas pode ser útil, pois é possível que a melhor estratégia para induzir uma resposta imune protetora seja combinar várias formulações".
Além disso, segundo o professor, "todos esses estudos em andamento nos permitem aprender mais sobre a resposta imune contra o Sars-CoV-2. Entender como essas vacinas protegem pode nos dar uma ideia mais clara de qual é o marcador de proteção contra a Covid-19, o que pode acelerar estudos futuros”.
Primeira voluntária brasileira a testar vacina contra Covid fala sobre imunização
Duas das candidatas que estão no estágio mais avançado de desenvolvimento – conhecido como ensaio clínico de fase 3, cujo objetivo é avaliar a eficácia da vacina em um grande grupo de voluntários – começam a ser aplicadas experimentalmente no Brasil.
Uma delas, a ChAdOx1 nCoV-19, foi desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e licenciada para o laboratório AstraZeneca.
A outra, nomeada Coronavac, é fruto do trabalho feito pela empresa chinesa Sinovac Biotech, que firmou um acordo com o Instituto Butantan. A pesquisa incluirá quase 9 mil voluntários brasileiros em diferentes estados.
Conheça as seis vacinas mais promissoras sendo pesquisadas contra o coronavírus
O Brasil passou a ser o local ideal para estudos de eficácia de vacinas, por ser onde o novo coronavírus mais circula atualmente e onde mais casos de Covid-19 são confirmados todos os dias.
Segundo pesquisadores envolvidos nos ensaios clínicos, o objetivo não é correr para obter primeiro a aprovação das agências reguladoras, mas sim, a produção de várias vacinas que se mostrarem capazes de proteger ao menos em parte os imunizados e transformar a Covid-19 em uma doença controlável, como a gripe.
De acordo com os envolvidos na pesquisa, tanto a Coronavac quanto a ChAdOx1 nCoV-19 parecem ser capazes de induzir tanto a produção de anticorpos neutralizantes quanto a chamada imunidade celular, que é o treinamento de determinados tipos de linfócito para que se tornem capazes de reconhecer e atacar as células infectadas pelo Sars-CoV-2.
CONTROLE DA DOENÇA
Para Ricardo Palacios, diretor médico de Pesquisa Clínica do Instituto Butantan, “qualquer que seja a vacina aprovada, não vamos acabar com o coronavírus. Ele veio para ficar e vai nos acompanhar durante todas as nossas vidas".
Segundo Palacios, o objetivo das vacinas é proteger contra a doença e não contra a infecção.
"Se conseguirmos alcançar patamares de pelo menos 50%, evitamos o grande problema da sobrecarga no sistema de saúde e da demanda por cuidado intensivo. Assim, convertemos a Covid-19 em algo controlável”, explica.
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