Pai e filha foram presos ao tentar dar um golpe em uma agência bancária em Fortaleza. Eles queriam compensar um cheque falso no valor de R$ 49 milhões, o que gerou desconfiança. O caso foi divulgado pela Polícia Civil nesta quarta-feira (23). Uma terceira pessoa envolvida no crime também foi presa, se passando por empresário e utilizando nomes e documentos de uma empresa de Goiás.
O delegado adjunto da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), Carlos Teófilo, disse que a polícia chegou até os suspeitos após o gerente do banco desconfiar da história contada por Paulo César da Silva Freire, 71, e pela filha dele, Andréa Freire Maia, 40. Eles apresentaram um cheque materialmente falso ao gerente, que acionou a polícia.
CONTRATO FALSO
A dupla foi ao banco conversar com o gerente, dizendo ter uma empresa que prestaria serviço para um suposto empresário, identificado como Charlys Cunha de Farias, 35. Os suspeitos simularam um contrato de mais de R$ 1 milhão estabelecido com essa empresa, e queriam transferir parte do dinheiro (R$ 49 milhões) para contas de terceiros.
A empresa utilizada para o golpe existe e está localizada em Goiás. Os criminosos tinham cópia dos documentos da verdadeira empresária e o contrato social do empreendimento.
“Eles levaram o contrato para tentar sacar o dinheiro junto com o cheque. O contrato que eles fizeram seria uma forma de dar uma maior clareza pra negociação, uma forma de ludibriar o pessoal do banco, mostrar que realmente estava sendo feita uma negociação e que não era um cheque que eles simplesmente estavam querendo compensar. Com eles também foi encontrada a cópia do documento da senhora Divina e o contrato social dessa empresa”, disse o delegado, em reportagem do jornal Diário do Nordeste.
EMPRESA ENVOLVIDA
A polícia investiga se houve participação da empresa verdadeira na tentativa de golpe, mas adiantou que segue a hipótese de que os criminosos utilizaram o nome da empresa de forma fraudulenta.
“A gente acredita também que eles obtiveram essa documentação de forma fraudulenta e estão usando o nome dessa empresa de forma fraudulenta. Imagina que o endosso com a assinatura dela e o carimbo da empresa sejam falsos”, apontou Teófilo.
DESCONFIANÇA
De acordo com o delegado, pai e filha, ao procurar o banco, foram enfáticos ao afirmar que não queriam que o cheque de quase R$ 50 milhões fosse depositado, mas que fosse transferido para contas diferentes de terceiros.
“A história era que um milhão ia para a conta da empresa da dupla e o restante que sobrasse eles queriam que fosse transferido para diversas outras contas”, explicou o delegado, que afirmou que isso era um dos indícios de que se tratava de um golpe.
“Porque se o cheque fosse depositado, logicamente que, posteriormente, o banco iria perceber que era fraude. E o cheque teria que ser depositado na conta dele. Então ele queria que fosse passado para contas de terceiros, possivelmente laranjas, para dificultar por parte da polícia a identificação”, completou.
Os dados das outras contas não chegaram a serem repassadas ao banco pela dupla.
Os três passarão por uma audiência de custódia para que a Justiça determine se os réus podem responder em liberdade. Eles responderão por falsidade ideológica, falsificação de documentos e tentativa de estelionato.
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