O jovem, que não teve a identidade revelada, tinha apenas três anos quando sei pai Cristian e o tio Daniel Cravinhos mataram a pauladas o casal Manfred e Marísia Richthofen, em 31 de outubro de 2002. O crime causou grande comoção no país, contou com a participação de Suzane Richthofen, filha das vítimas.
Passados quase 20 anos do assassinato, o rapaz diz sofrer muito constrangimento e preconceito ao ser "fulminado por olhares desconfiados" todas as vezes que precisa apresentar algums documento em que consta o nome do pai. "Tenho vergonha", disse à Justiça, em uma ação na qual pede a anulação da paternidade.
O estudante ainda cita no processo o fato de nunca ter tido amparo afetivo e material do pai. Relata que, mesmo antes do crime, teve pouco contato com Cristian.
Em 2009, o jovem conseguiu mudar seu sobrenome por decisão judicial, quer agora não apenas retirar os dados do pai de todos os seus documentos, como também revogar qualquer dever jurídico da relação pai-filho. Abre mão, inclusive, do direito de receber pensão ou eventual herança.
Condenado a 38 anos de prisão, Cravinhos foi para o regime semiaberto em 2013. Quatro anos depois passou a cumprir a pena em regime aberto, mas voltou a ser preso após se envolver em uma briga doméstica. Ele estava armado e tentou subornar os policiais. Por conta disso, em setembro de 2018 foi condenado a mais quatro anos e oito meses de prisão.
O processo no qual João pede a desconstituição da paternidade corre em segredo de Justiça. Cravinhos, hoje com 44 anos, ainda não foi ouvido sobre a decisão do filho.
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