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SAÚDE

Mesmo aprovada, vacina da Pfizer pode demorar a chegar ao Brasil

Com o registro definitivo na Anvisa, o imunizante desenvolvido pela Pfizer e BioNTech, abre um leque de possibilidades sobre o seu uso

quarta-feira, 24/02/2021, 11:48 - Atualizado em 24/02/2021, 11:48 - Autor: Com informações A Gazeta


No Brasil, atualmente, estão sendo aplicadas as vacinas Coronavac e Astrazeneca, que foram autorizadas para uso emergencial
No Brasil, atualmente, estão sendo aplicadas as vacinas Coronavac e Astrazeneca, que foram autorizadas para uso emergencial | Getty Images

A Pfizer é uma das farmacêuticas com as quais alguns estados brasileiros têm negociado a compra direta de doses, mas, ainda assim, a vacina pode demorar a chegar no país. No Brasil, atualmente, estão sendo aplicadas as vacinas Coronavac e Astrazeneca, que foram autorizadas para uso emergencial.

O impasse vem de antes da aprovação do registro definitivo. A Pfizer e governo federal não conseguem se entender sobre as regras da negociação, de modo que  um contrato para a compra da vacina possa ser feito, seja pelo Ministério da Saúde, seja pelos governos estaduais e até mesmo pela rede particular.

O governo federal quer que a empresa seja responsabilizada nos eventuais casos de reação adversa à vacina e, para a farmacêutica, não há negociação nesse ponto.

"A empresa não tem boa vontade de negociar com ninguém no Brasil, enquanto não for mexida a legislação em relação à responsabilidade da Pfizer", pontua Lauro Ferreira Pinto, infectologista e sócio da CPC Vacinas.

Com o registro definitivo da Anvisa, clínicas particulares também poderiam comprar doses diretamente com a Pfizer, mas, diante da exigência brasileira, a aquisição da vacina fica impedida para todos.

O médico observa que, quando se faz uso emergencial de um imunizante e em larga escala, efeitos adversos são esperados. No caso da Pfizer, a vacina já é administrada em cerca de 70 países, foram aplicadas mais de 200 milhões de doses, e as reações aconteceram numa proporção de um caso a cada 200 mil imunizados.

Na avaliação de Lauro Ferreira Pinto, a maioria das pessoas que apresentaram reações após vacinação já tinham um quadro de alergia severo.

Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro editou a Medida Provisória 1.026/2021, que autoriza a adoção de medidas excepcionais para a aquisição de vacinas contra a Covid-19. A MP tem prazo de vigência e, para não perder a validade, precisa tramitar no Congresso Nacional para ser convertida em lei e, nesse contexto, podem ser apresentadas emendas.

Parlamentares estão se articulando para flexibilizar as regras e, assim, agilizar a compra de vacinas, não só da Pfizer, mas também da Janssen que tem posicionamento semelhante à concorrente.

A vacina da Pfizer foi uma das quatro testadas no Brasil. No início do ano, a farmacêutica disse ter oferecido 70 milhões de doses do imunizante ao governo brasileiro para entrega ainda em 2020, no entanto, três ofertas haviam sido recusadas. Os países que aceitaram os termos apresentados pela empresa, são Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Israel, que já estão em uma fase avançada da imunização da população.

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