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População brasileira ficou mais pobre nos últimos anos; saiba o porquê!

s números da pesquisa indicam que entre 2011 e 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país recuou 0,2% ao ano, em média.

sábado, 13/03/2021, 11:04 - Atualizado em 13/03/2021, 12:44 - Autor: Informações TNH1


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Na última década, a população brasileira ficou mais pobre, segundo dados integram um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) com base nos números do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os números da pesquisa indicam que entre 2011 e 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país recuou 0,2% ao ano, em média.

Por tanto, nos períodos a riqueza mundial apresentou um crescimento anual de 0,4%. O estudo foi baseado no desempenho do PIB per capita ao longo da década, que foi calculado em Paridade do Poder de Compra (PPC) e torna possível a comparação entre os países, porque exclui o efeito do câmbio nas moedas locais.

Como funciona?

O Produto Interno Bruto (PIB) per capital é calculado da seguinte forma: a soma de tudo o que país produz dividido pela população e funciona como um importante termômetro para avaliar a riqueza de uma nação. Então ele sobe quando a atividade econômica avança num ritmo mais rápido do que o crescimento populacional.

Para se ter uma ideia, em 2010 os brasileiros tinham uma renda anual média de US$ 14.931,10. Já em 2020, ela caiu para US$ 13.777,44.

Analisando o desempenho do Brasil na última década, pode ser explicado por uma combinação bastante perversa. No fim de 2014 entre 2016, o país enfrentou uma dura recessão, registrando uma lenta retomada nos três anos seguintes e viu o PIB despencar 4,1% no ano passado, em decorrência dos impactos econômicos provocados pela pandemia da covid-19.

"Esse conjunto de elementos fez com que nós tivéssemos uma nova década perdida", afirma Claudio Considera, pesquisador do Ibre/FGV e um dos autores do levantamento. "Foram três anos de recessão mais um ano da pandemia, que desligou a economia."

O Brasil fica ainda mais atrás em relação a países de economia similar: entre os emergentes, o avanço médio do PIB per capita foi de 2,5% entre 2011 e 2020.

"Entender essa trajetória de comparar o Brasil com os emergentes é entender a crise de meados dos anos de 2010", afirma Rodrigo Soares, professor titular da cátedra Fundação Lemann no Insper.

"Houve uma mistura de dois fatores. Em parte, foi uma herança das políticas equivocadas, adotadas a partir do final dos anos 2000 e que se intensificaram no início dos anos 2010. E isso foi combinado com o choque negativo das commodities, que começou a acontecer no mesmo período", diz.

Consequências da década passada

A situação das contas públicas se agravou, resultando em uma crise fiscal que se arrasta até hoje. O país ainda enfrentou uma turbulência política, que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Como consequência, em 2015, a economia brasileira perdeu o grau de investimento – uma espécie de selo de bom pagador da dívida pública.

Início lento da década

Diante do cenário atual, a nova década que se inicia começa com sinais de fraqueza e, portanto, não deve haver uma melhora expressiva da renda do brasileiro tão cedo. O motivo?! O Brasil está enfrentandoo agravamento da pandemia de coronavírus e a lenta vacinação, que estão minando as expectativas de um crescimento mais acelerado.

Segundo o relatório Focus, do Banco Central, que colhe a avaliação de uma centena de economistas as projeções econômicas para 2021 têm sido reduzidas semana após semana. Hoje, os analistas estimam que o PIB deve crescer 3,26%. Há um mês, a previsão era de alta de 3,47%.

"De fato, está parecendo que o desempenho do primeiro trimestre será bem fraco em relação ao último trimestre de 2020", afirma Considera. "É possível prever uma dificuldade muito grande para a retomada do crescimento."

Alguns bancos e consultorias já projetam uma recessão técnica neste ano, com quedas seguidas do PIB no primeiro e no segundo trimestres.

Outras incertezas está  relacionada à condução da política econômica do governo Jair Bolsonaro – se a agenda liberal prometida na eleição de 2018 vai ser trocada por medidas populistas –, sobretudo depois da intervenção do governo na Petrobras.

"Você reconhece esse risco na trajetória do presidente da República, enquanto membro do Congresso e deputado. Houve uma tentativa enorme de vender uma agenda liberal associada ao ministro Paulo Guedes, mas, desde o começo do governo, antes mesmo da pandemia, já tinha ficado claro que a convicção do presidente em relação a essa agenda era muito limitada", observa Soares, do Insper.

Mercado de trabalho

O índice fraco do quadro de empregos no país, resulta na dificuldade de enxergar uma melhora na condição de vida do brasileiro..

Ainda sem se recuperar da recessão do período dos anos de 2014 a 2016, o mercado de trabalho foi novamente abatido pela pandemia de coronavírus. No ano passado, a taxa de desemprego do país encerrou em 13,9%, chegando a 13,9 milhões o número de pessoas nessa situação.

Victor Hugo Barbosa Lopes de Salles, de 31 anos, que é formado em história, trabalhou três anos num restaurante e foi mandado embora em fevereiro deste ano, entrando para as estatísticas dos milhões de desempregados.

"O restaurante teve que parar durante o início da pandemia. Ele ficou fechado por uns 3 meses e só reabriu com metade das mesas disponíveis para o uso, e a gente começou a fazer entrega para ter uma renda", conta Victor, que hoje vive do seguro-desemprego. "Foi ficando difícil para o restaurante pagar o nosso salário e eles decidiram mandar algumas pessoas embora."

Após sua formação, Victor tenta atuar na sua área. Ele já deixou currículos em escolas e prestou concursos públicos. Agora, desempregado, vai tentar ter alguma renda como motorista de aplicativo.

"Não é um emprego que demanda entrevista, é o mais fácil de conseguir", afirma. "Tenho uns amigos que estão procurando emprego e está bem difícil."

Sem ajuda do Auxílio Emergencial

Com a falta de oportunidades e o mercado de trabalho enfraquecido, a renda do brasileiro enfrenta mais um revés com a redução no valor e na quantidade de parcelas do Auxílio Emergencial. Em 2020, as cinco parcelas de R$ 600 e as quatro de R$ 300 representaram um importe alívio para o bolso do brasileiro em meio à pandemia.

O benefício injetou R$ 300 bilhões na economia e chegou a 68 milhões de pessoas.

Agora, em 2021, as novas parcelas do auxílio devem ser mais baixas. O governo desenhou o programa com quatro parcelas no valor médio de R$ 250. Os novos pagamentos devem ser liberados entre março e abril.

Os brasileiros da classe D/E aumentaram os gastos em 14% no segundo trimestre de 2020 com o benefício do auxílio, segundo um levantamento da Kantar. Já os gastos da classe C chegaram a crescer 13% no terceiro e quatro trimestres.

"O governo injetou uma renda no orçamento das famílias, mas agora elas vão enfrentar um abismo muito grande", afirma o diretor de serviços ao cliente e novos negócios da Kantar, David Fiss. "Com o auxílio, as famílias começaram a acessar marcas mais caras. Só que, agora, a partir do momento em que não há mais o auxílio (no valor de R$ 600), elas vão ter de reequilibrar o bolso", diz.

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