O alto percentual de mortes entre os pacientes que precisam de ventilação mecânica no Brasil, tem se tornado mais um motivo de preocupação. A média de mortes de pessoas que precisaram ser intubadas de fevereiro a dezembro de 2020. Os dados são de uma pesquisa obtida pela BBC News Brasil.
A cada 10 pacientes intubados, 8 morreram ao longo do primeiro ano de pandemia. Essa média de mortalidade permaneceu ao longo do segundo semestre. A média mundial é de cerca de 50% de mortalidade. E, ao que tudo indica, os dados preliminares de 2021, a taxa de mortalidade brasileira deve piorar neste ano.
"Os dados de morte por intubação em 2021 não estão consolidados, mas as informações disponíveis sobre morte hospitalar apontam para um aumento significativo da mortalidade", disse o pesquisador da Fiocruz Fernando Bozza, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Medicina Intensiva do Instituto Evandro Chagas.
O que poderia explicar esse alto percentual de mortalidade é a falta de um protocolo nacional que unifique as técnicas usadas pelos profissionais. Além disso, o uso de pessoal sem treinamento e experiência adequados também pode ser uma das causas.
"A taxa permaneceu alta ao longo do ano. Perdeu-se tempo discutindo tratamento precoce sem qualquer evidência científica e não se investiu em disseminar informação sobre tratamentos eficazes para pacientes graves, como uso de esteroides, técnicas de identificação de insuficiência respiratória, uso da posição prona e outros", avalia Bozza.
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