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Mortes diárias por Covid-19 podem chegar em 4 mil em abril

Com letalidade em alta, técnicos do Ministério da Saúde indicam até 4 mil mortes diárias pela doença. Crise de UTIs intensifica escalada

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Imagem ilustrativa da notícia Mortes diárias por Covid-19 podem chegar em 4 mil em abril camera Foto: Agência Brasil

Diante da crise nos hospitais por causa da disseminação da covid-19 no Brasil o mês de abril pode ser "sombrio" em casos e mortes decorrentes da infecção. Segundo projeções de técnicos do Ministério da Saúde, se a vacinação não avançar consideravelmente e medidas de isolamento social não forem intensificadas, o cenário, que já é ruim, vai piorar.

O atual estágio da enfermidade no país não permite imaginar reversão expressiva do quadro em curto prazo, Mesmo se algumas medidas imprescindíveis forem tomadas.

De acordo com cálculos internos, apontam que o país pode registrar até quatro mil mortes diárias em abril. O mesmo número é estimado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A propensão ganhou ainda mais força com os sucessíveis recordes dos últimos dias. O dados foram obtidos pelo Metrópoles com fontes da pasta.

Na última semana, por exemplo, o Brasil registrou duas marcas inéditas: mais de 3,6 mil óbitos em 24 horas e mais de 300 mil mortes desde o início da pandemia.

“Existem duas emergências básicas, do ponto de vista sanitário: a radical ampliação da imunização e a intensificação das regras de distanciamento. O essencial é que logo nos primeiros dias do mês tenhamos vacinado o público maior de 60 anos para termos efeitos ao longo de abril”, destaca uma técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Capacidade de imunização rápida o Brasil possui. O país, contudo, patina na compra e na produção de doses das vacinas contra a Covid-19.

Em relação a estratégia das autoridades de saúde , que prioriza dois grupos essenciais a vacina, protege idosos, que, quando são acometidos pela doença, necessitam de mais suporte. Vale destacar que o país vê a crise agravada pela falta de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e medicamentos para intubação.

A outra medida, de distanciamento social, visa, via fechamento de atividades não essenciais, evitar aglomeração de jovens e adultos em bares, restaurantes e festas. Aumentou exponencialmente a população entre 24 e 59 anos que está sendo internada com a Covid-19.

O país tem mais de 12,4 milhões de casos confirmados do novo coronavírus e 307 mil óbitos em decorrência da doença. O Ministério da Saúde aplicou 16,6 milhões de doses da vacina (entre primeira e segunda doses). O Brasil é 2º em casos e 4º em mortes de presos em todo o mundo.

Letalidade

“A letalidade está aumentando porque estamos perdendo vidas sem que as pessoas tenham acesso a leitos de UTI ou de enfermaria. Março foi o pior momento da pandemia, mas a situação pode se agravar ainda mais”, alerta outra fonte da Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS) do Ministério da Saúde.

Não só o governo está em alerta. A Universidade Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro, também projeta que o Brasil viverá o momento mais crítico da pandemia de coronavírus entre abril e maio deste ano, com até 5 mil mortes provocadas pela doença por dia

Em entrevista ao Metrópoles na última semana, o médico infectologista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Jonas Brandt apontou que a alta de mortes se deve ao colapso do sistema de saúde.

Ele ressalta que o país precisa continuar investindo em testagem. “Sem o número real de pessoas infectadas, é difícil estimar o quanto a letalidade pode aumentar, pois nunca saberemos o número real de casos na comunidade”, explica.

Versão oficial

Segundo o Ministério da Saúde, a vigilância epidemiológica estuda os fatores determinantes que podem ter relação com a ocorrência da Covid-19 na população, bem como a descrição dos casos por tempo, lugar e características dos doentes. Contudo, a pasta destacou que não divulga projeções oficiais.

Versão oficial

De acordo com o Ministério da Saúde, a vigilância epidemiológica estuda os fatores determinantes que podem ter relação com a ocorrência da Covid-19 na população, bem como a descrição dos casos por tempo, lugar e características dos doentes. Contudo, a pasta destacou que não divulga projeções oficiais.

“Analisamos a evolução e calculamos os indicadores epidemiológicos que avaliam o risco da doença. Esses dados geram informação para tomada de decisão, que embasam medidas de prevenção e controle”, informa, em nota.

O texto ressalta que a vigilância epidemiológica usa dados gerados pelo sistema de saúde, conforme conteúdo apresentado nos boletins semanais, ou seja, volume de infecções e mortes.

“O Ministério da Saúde trabalha com a devida transparência na divulgação das informações sobre a pandemia da Covid-19, disponibilizando diariamente dados epidemiológicos e estrutura para enfrentamento da doença no Brasil em diversos canais como o Painel Coronavírus, plataforma LocalizaSUS e tabela de casos e óbitos e Boletins Epidemiológicos”, frisa a pasta.

Mais vacinação

O ministro da Saúde, cardiologista Marcelo Queiroga, reafirmou nesta sexta-feira (26), que a intenção do governo federal é vacinar um milhão de pessoas diariamente a partir de abril. “Tenho certeza de que vamos conseguir”, afirmou.

A declaração foi dada quando o governo federal anunciou o desenvolvimento de um segunda vacina totalmente brasileira. Horas antes, o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, comunicou a criação de um produto similar.

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