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COMUNICAÇÃO

Máscaras transparentes facilitam a compreensão da fala

Estudo aponta que o uso de máscaras transparentes durante a comunicação aumenta em cerca de 10% a compreensão da fala, tanto entre indivíduos com perda auditiva quanto entre pessoas com audição normal

segunda-feira, 26/04/2021, 10:47 - Atualizado em 26/04/2021, 10:46 - Autor: Com informações da Agência Fapesp


Especialista defende que a produção de máscaras transparentes, certificadas pela Anvisa, seja estimulada no Brasil
Especialista defende que a produção de máscaras transparentes, certificadas pela Anvisa, seja estimulada no Brasil | Razões para acreditar

A pandemia do coronavírus forçou a todos a adotar um novo acessório, a máscara, uma alternativa acessível e eficaz para diminuir o contágio. Contudo, máscaras de tecido acabam prejudicando a comunicação entre as pessoas, sobretudo para quem tem restrições na audição, pois o equipamento de proteção impede a leitura labial.

Estudo publicado na revista científica Ear and Hearing ("Ouvido e Audição") aponta que o uso de máscaras transparentes durante a comunicação aumenta em cerca de 10% a compreensão da fala, tanto entre indivíduos com perda auditiva quanto entre pessoas com audição normal. 

A pesquisa foi conduzida na Universidade do Texas, em Dallas (Estados Unidos), com a participação de Regina Tangerino, professora da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Nossos dados mostram que o uso de máscaras transparentes pode facilitar a comunicação para todos, minimizando o estresse e melhorando a interação. Mas, claro, a proteção deve ser a preocupação primária neste momento e, no Brasil, ainda não há nenhum modelo com eficácia comprovada à venda”, explica Regina Tangerino.

Segundo a pesquisadora, nos Estados Unidos, dois modelos de máscara com visor transparente na região dos lábios já foram certificados pela Food and Drug Administration (FDA, agência de vigilância sanitária norte-americana) e pelo Centro para Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês). “Um dos nossos objetivos é chamar atenção para a importância do tema”, afirma a pesquisadora.

Ainda no início da pandemia, em 2020, o grupo disponibilizou na internet um conjunto de vídeos com 40 minutos de duração, nos quais uma pesquisadora profere diversas sentenças em meio a ruídos de fundo. Parte das frases foi gravada sem máscara, parte com uma máscara transparente na região da boca e parte com uma máscara de tecido opaco.

Os 154 voluntários, recrutados por meio de rede social ou e-mail, foram classificados em três grupos: audição normal, suspeita de perda auditiva ou perda auditiva confirmada (com ou sem uso de implante coclear ou aparelhos auditivos). Todos foram orientados a assistir aos vídeos em um local silencioso e a digitar o que tinham entendido após cada frase. Os participantes também tinham de ranquear o nível de confiança ao responder e informar o quanto tiveram de se concentrar para entender o que foi dito. Ao final, o escore de cada voluntário foi calculado.

O percentual médio de acerto das sentenças pronunciadas sem máscara, considerando a média dos três grupos de voluntários, foi de 83,8%. No caso das frases proferidas com máscara transparente, o percentual médio foi de 68,9% – 10% maior do que o das frases proferidas com máscara opaca (58,9%).

“Essa diferença de 10% é estatisticamente significativa e esse benefício pode ser estendido não só para o reconhecimento da fala, pois os participantes se sentiram mais confiantes e fizeram menos esforço para se concentrar quando usavam a máscara transparente. Em outra pesquisa, realizada no Reino Unido com 460 pessoas, os autores observaram que as máscaras opacas afetam a fadiga, a ansiedade e as emoções tanto de quem está ouvindo como de quem está falando”, comenta a pesquisadora.

Pista visual

Para ter certeza de que a diferença observada estava relacionada com a pista visual (a movimentação da boca vista pelo visor transparente) e não com questões acústicas (como o fato de um tipo de máscara abafar mais o som do que outro), um segundo teste foi conduzido com 29 voluntários. Nesse caso, somente o áudio dos vídeos usados no primeiro experimento foi enviado aos participantes. Desse modo, eles não sabiam quais frases foram gravadas com ou sem máscara.

“Nesse caso, o percentual médio de acerto foi menor para as sentenças proferidas com máscara transparente quando comparada com a opaca, confirmando que as pistas visuais foram determinantes para o melhor desempenho no primeiro estudo, superando a degradação do som gerada pelo uso das máscaras”, conta Tangerino.

A pesquisadora defende que a produção de máscaras transparentes certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seja estimulada no Brasil. Até o momento, somente estão disponíveis no país modelos feitos de vinil, considerados ineficazes para barrar a transmissão do novo coronavírus.

Clique aqui para acessar a íntegra do estudo.

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