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E AGORA?

Matéria prima acaba e lotes de Coronovac ficam comprometidos

A partir desta semana, não haverá mais insumos para produzir a Coronavac no país, e o cronograma de junho pode ficar prejudicado, segundo informou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan na última segunda-feira (10).

quarta-feira, 12/05/2021, 12:01 - Atualizado em 12/05/2021, 12:07 - Autor: FOLHAPRESS


As doses serão encaminhadas ao PNI (Programa Nacional de Imunizações), para serem distribuídas proporcionalmente aos estados.
As doses serão encaminhadas ao PNI (Programa Nacional de Imunizações), para serem distribuídas proporcionalmente aos estados. | Divulgação

O governo de São Paulo e o Instituto Butantan entregaram um novo lote de 1 milhão de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde na manhã desta quarta-feira (12).

Com isso, o governo paulista já entregou 46,112 milhões de doses e completou o primeiro acordo com o governo federal. As doses serão encaminhadas ao PNI (Programa Nacional de Imunizações), para serem distribuídas proporcionalmente aos estados.

A entrega é a segunda de um total de três que o Butantan deve fazer à pasta da saúde nesta semana; na segunda (10), foram repassadas 2 milhões de doses e na próxima sexta (14) serão distribuídas mais 1,1 milhão de doses.

A partir desta semana, não haverá mais insumos para produzir a Coronavac no país, e o cronograma de junho pode ficar prejudicado, segundo informou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan na última segunda-feira (10).

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acompanhou a entrega ao lado do secretário estadual da saúde, Jean Gorinchteyn, da Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização de São Paulo, Reinaldo Noburu Sato, superintendente da Fundação Butantan e de Rui Cury, presidente da Fundação Butantan em uma entrevista para jornalistas na manhã desta quarta.

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O governo paulista aguarda a autorização na China para a liberação de um novo lote de IFA (ingrediente farmacêutico ativo). A China mantém separadas e prontas para embarque uma remessa de 10 mil litros. Além desse lote, que ainda não teve autorização para embarcar, o envio de novas remessas segue desconhecido.

Nesta quarta, o Butantan realiza uma reunião com autoridades chinesas em busca de uma posição para a liberação do embarque de um lote de IFA, cuja chegada, se autorizada, será no próximo dia 18.

Porém, não há previsão de quando essa remessa chegará ao país e mesmo se será dividida em diferentes lotes. Segundo Doria, o governo pode decidir pela liberação dos dez mil litros ou menos.

"O laboratório Sinovac tem prontos, refrigerados e separados 10 mil litros para produzir a Coronavac e poderá liberar 4.000, 6.000 ou os 10 mil litros, mas nós temos um entrave diplomático, é preciso deixar claro isso", disse.

A liberação está em suspenso após as declarações do governo federal, e principalmente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra o país asiático.

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Doria afirmou que enquanto não houver a superação desse entrave diplomático a China não irá liberar esses insumos para a produção da vacina, a principal utilizada no país até o momento contra a Covid-19.

O governador reiterou que não há problemas em relação ao contrato com a Sinovac, e sim o problema é entre as autoridades chinesas e o governo brasileiro.

"É um tema de diplomacia e quem faz é a chancelaria do governo brasileiro, a conduta deve ser do Itamaraty. Não houve a autorização de embarque dos insumos para o Brasil, mas a Sinovac continua o envio de insumos para Indonésia, Turquia, Filipinas, México e Chile, somente para o Brasil que não", disse.

Um dia após a suspensão do uso da vacina da Oxford/AstraZeneca pelo Ministério da Saúde após a ocorrência de uma morte ainda em investigação em uma gestante que recebeu a vacina, o governo estadual decidiu suspender a vacinação desse grupo no estado, decisão ainda mantida em São Paulo mesmo após a pasta da saúde orientar o uso das outras vacinas Pfizer e Coronavac nas gestantes com comorbidades.

Segundo Regiane de Paula, a decisão de manter a suspensão se dá por não haver ainda informações claras a respeito do ocorrido e também pela escassez das outras vacinas.

"Nesse momento o estado de São Paulo mantém a não vacinação das grávidas porque nós precisamos que o Ministério da Saúde nos norteie, precisamos de uma nota técnica dizendo qual vacina a ser usada. Temos sim a condições de usar a vacina da Pfizer no município de São Paulo mas nos outros municípios precisam da vacina do Butantan", disse.

Com a escassez de doses da Coronavac, devido à falta de matéria-prima para produzi-la, a orientação da pasta da saúde de usá-la nas gestantes fica comprometida. "Ontem mesmo antes de qualquer nota da pasta da saúde tomamos a decisão de não vacinar nenhuma gestante com comorbidades e puérperas e vamos continue assim até que o ministério de forma técnica nos dê o que é aquilo que devemos proceder e como proceder e não por meio de coletiva de imprensa", afirmou.

De Paula disse ainda que não houve a notificação de nenhum evento adverso grave pós-vacina em gestantes no estado. Foram feitas 71 notificações de gestantes que tomaram a vacina da Covid-19 inadvertidamente no lugar da vacina contra a gripe, das quais sete tiveram efeitos adversos pós a vacina, e mais 35 notificações de eventos adversos pós a vacinação de gestantes em outros grupos, como profissionais de saúde, de segurança e da educação. Todos os eventos foram leves ou moderados, como dores no corpo e indisposição.

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