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CPI DA COVID

Brasil ignorou oferta de 70 milhões de vacinas, diz Pfizer

Carlos Murillo afirmou na CPI da Covid que a empresa realizou dois meses de negociação com o Brasil, mas que não obteve resposta do Governo Federal.

quinta-feira, 13/05/2021, 14:17 - Atualizado em 13/05/2021, 14:17 - Autor: FOLHAPRESS


Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina.
Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina. | Agência Senado

A CPI da Covid continua recebendo no Senado diversos nomes para apurar supostas irregularidades da gestão de Jair Bolsonaro no combate à pandemia da covid-19. Após ouvir depoimentos de ex-membros do governo, a CPI recebeu um empresário que fez revelações polêmicas sobre a aquisição de vacina.

O gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou nesta quinta-feira (13) que a empresa fez ao menos cinco ofertas de doses de vacinas contra a Covid-19 em 2020 que não foram fechadas.

Segundo Murilo, as negociações começaram em maio e, em agosto, foi feita a primeira oferta ao Brasil, com dois quantitativos disponíveis: 30 milhões e 70 milhões de doses.

Depois, o laboratório fez mais duas ofertas, em 18 de agosto e 26 de agosto. Nesta última também foram ofertadas 30 e 70 milhões de doses para entrega parcelada até o final de dezembro de 2021, mas o governo brasileiro ignorou a proposta, como mostrou a Folha no início de março deste ano.

"Proposta de 26 de agosto tinha validade de 15 dias. Passados 15 dias, governo não rejeitou e nem aceitou a oferta".

As duas ofertas previam que ao menos 1,5 milhão de doses chegariam ao Brasil em dezembro de 2020. Como a oferta foi ignorada, segundo Murillo, em novembro as negociações foram retomadas com mais duas propostas. Desta vez, só estava na mesa a possibilidade de compra de 70 milhões de doses e não havia mais a chance de alguma vacina da Pfizer chegar ainda em 2020.

Em 2021, a Pfizer voltou a fazer nova oferta em 15 de fevereiro deste ano. A proposta era de compra de 100 milhões de doses. Mais uma vez, o governo não fechou o acordo.

Em 8 de março deste ano, segundo Murilo, foi feita nova oferta, semelhante à de fevereiro. O acordo foi para a entrega de 100 milhões de doses, sendo 14 milhões no segundo trimestre de 2021 e mais 86 milhões no terceiro trimestre.

Murillo disse que só ficou confiante com o fechamento do acordo para o fornecimento da vacina com o governo brasileiro no dia 19 de março deste ano, quando o contrato foi assinado.

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