Muitas divergências entre pensamentos do presidente Jair Bolsonaro com o resto do mundo têm levado o Brasil a se isolar no cenário internacional no que diz respeito ao combate da pandemia do novo coronavírus. A condução das políticas de saúde pública do governo federal também tem gerado muitas críticas de especialistas e autoridades do ramo da Ciência. .
E um dos temas mais polêmicos sobre a condução das políticas federais da Saúde o chamado "ministério paralelo" de Jair Bolsonaro, que seria composto por profissionais próximos ao presidente que estariam norteando decisões essenciais do governo brasileiro como, por exemplo, a vacinação contra a Covid-19.
E o site Metrópoles teve acesso a imagens exclusivas que comprovam a ação desse “ministério paralelo”. Na reunião gravada, realizada no dia 08 de setembro de 2020, a imunologista Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra, o virologista Paolo Zanoto e outros médicos de diversas especialidades comentam as políticas de combate à Covid-19. Confinados em uma sala de reuniões do Planalto, nenhum dos profissionais usa máscara.
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Nas imagens, Osmar Terra aparece como o mentor do grupo. “Uma honra trabalhar com o senhor neste período” afirmou Nise Yamaguchi ao deputado. Vale destacar que na CPI da Covid, ela negou a existência de um gabinete paralelo, e disse que prestava apenas “aconselhamento”.
O virologista Paolo Zanoto parece ter intimidade com Bolsonaro. O presidente faz questão de que ele saia da plateia e se sente ao seu lado. Para cumprimentá-lo, o presidente da República bate continência.
Na ocasião, o médico aconselha Bolsonaro a tomar “extremo cuidado” com as vacinas contra a Covid-19. “Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3”, diz. Outra informação importante é que, na data do encontro, e-mails da Pfizer estavam sem resposta nos computadores do Ministério da Saúde.
🚨 Exclusivo! O Ministério Paralelo em ação. Vídeos comprovam aconselhamento feito por médicos a Bolsonaro em pleno Palácio do Planalto. Enquanto emails da Pfizer seguiam sem resposta, grupo levantava desconfiança sobre vacinas e tinha Osmar Terra como "padrinho".
— Metrópoles (de 🏠) (@Metropoles) June 4, 2021
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A orientação antivacina prossegue. “Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não”, afirma o virologista, enquanto uma médica balança a cabeça de forma negativa. Ele baseia sua argumentação em um suposto problema dos coronavírus no desenvolvimento vacinal, sem apresentar qualquer evidência.


Zanoto deu uma série de entrevistas durante a pandemia avaliando que não seria “uma boa ideia” fazer vacinação em massa no Brasil. Em 8 de dezembro de 2020, por exemplo, em programa da RedeTV, o profissional, formado em biologia na USP e com doutorado em virologia em Oxford, sustenta:
“Aqui no caso do Covid-19, do Sars-CoV-2, isso é um vírus que causa muito mais mortalidade em grupos etariamente bem definidos e com comorbidades. Então é óbvio que, se você tem uma função, uma distribuição de risco, deveria ser também uma distribuição de risco associada com, digamos assim, um incentivo a essas pessoas se vacinarem. Por outro lado, vacinar em massa todo mundo não é uma boa ideia, porque a gente não tem uma ideia muito boa de tudo o que acontece com essas vacinas, pois elas não foram desenvolvidas em prazo razoável para se estimar efeitos adversos de baixíssima frequência.”
Ainda nas imagens, o ex-assessor especial da presidência Arthur Weintraub fazia a ponte entre o “ministério paralelo” e Bolsonaro. Zanoto diz que encaminhou a Weintraub a sugestão do que ele chama de “shadow board”, um grupo de supostos especialistas em vacinas para aconselhar o governo sobre o tema.
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