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Bolsonaro não poupou forças para produção de cloroquina

Mesmo ignorando compra de vacina, o presidente fez contatos internacionais para que hidroxicloroquina fosse produzida por empresas de aliados.

quinta-feira, 10/06/2021, 12:53 - Atualizado em 10/06/2021, 12:53 - Autor: Com informações do Ig


Jair Bolsonaro em reunião com o primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi
Jair Bolsonaro em reunião com o primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi | Reprodução

Volta e meia alguns “escândalos” em relação ao combate a pandemia no Brasil bem à tona. Pedido negado para compra de vacina, é um dos que mais deixa a população indignada. Porém, tem mais por ai.

O Globo teve acesso a um telegrama secreto do Ministério das Relações Exteriores em posse da CPI da Covid no Senado que contém a transcrição do telefonema feito por Bolsonaro para empresas da indústria farmacêutica.

O presidente cita nominalmente as empresas EMS e Apsen ao pedir que a Índia liberasse a exportação de insumos para a fabricação de hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19.

Na conversa é possível ver Jair Bolsonaro atuando diretamente em favor das duas empresas privadas solicitando ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em abril do ano passado, que acelerasse a exportação desses insumos.

 Senadores da comissão avaliam que a ligação é prova importante do envolvimento pessoal do presidente com o fornecimento para o Brasil do remédio sem eficácia.

As duas empresas beneficiadas diretamente pela atuação são comandadas por empresários que têm relações com o bolsonarismo. O presidente da Apsen, Renato Spallicci, é um apoiador de Bolsonaro. Ele declarou voto no atual presidente em 2018 e tinha várias postagens nas suas redes sociais com ataques a seus adversários e defesa do governo.

Nesta quarta-feira (09), Renato Spallicci foi convocado a prestar depoimento na CPI da Covid.

O CEO da EMS, Carlos Sanchez, já foi recebido por Bolsonaro para reuniões no Palácio do Planalto e participou recentemente de jantar com empresários realizado em São Paulo no qual o presidente foi ovacionado.

Procuradas, tanto a Apsen quanto a EMS afirmam que têm relação apenas institucional com o governo brasileiro.

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