A Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, tem servido para estudo da Fiocruz sobre a eficácia e a viabilidade de dar um fim nas restrições por conta da pandemia. Cerca de 3.500 moradores da localidade receberam a vacina no último domingo (20).
Entre elas, Conceição Campos, que foi a primeira moradora da Ilha a tomar o imunizante. Na ocasião, a vacina foi aplicada pelo ministro da saúde, Marcelo Queiroga. Após aplicar a vacina, o ministro foi surpreendido com a resposta da moradora. Ele perguntou se a mesma estava feliz.
"Estou feliz por estar vacinada, mas não queria ser vacinada por você. Queria ser vacinada por ela", disse Conceição, apontando para Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fiocruz. O ministro ficou sem reação.
A moradora, que é diretora da associação de moradores local, mostrou insatisfação alegando que Queiroga é "representante de um governo que fala contra a vacina, que fala contra a máscara, que fala contra a ciência". Ela ainda complementou: "A vacina é verdadeira, mas a mão que me aplicou não é".
"Sinto na pele o que a negação da ciência, da máscara, do distanciamento social, a recusa em comprar vacinas nos traz: mortes evitáveis e sofrimentos desnecessários",critica a moradora de Paquetá.
Ela também lamentou a difusão de remédios ineficazes e da ideia de que o ideal seria todos adoecerem e irem morrendo até que a pandemia acabe. A falta de uma campanha de prevenção, a pouca testagem da doença e a ausência de divulgação de dados também estão entre as pautas que causam revolta na moradora.
"A lista é muito triste e muito grande", ressalta Conceição, que diz ter perdido muitos amigos para a covid-19.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar