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Vassoura-de-bruxa derrubou produção de cacau no Brasil

O fungo provoca uma espécie de "câncer", que colabora para a baixa produção do fruto.

quarta-feira, 07/07/2021, 10:54 - Atualizado em 07/07/2021, 10:54 - Autor: Com informações da Fapesp


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| Foto: Reprodução / Jornal A Região

Conhecida como vassoura-de-bruxa, o fungo chamado Moniliophthora perniciosa, foi o responsável da maior crise já ocorrida na produção de cacau brasileira.

A doença causa deformação, apodrecimento e morte nas partes afetadas do cacau, que adquirem a aparência de vassouras velhas. Por conta da praga, o Brasil, que chegou a ser o segundo maior produtor mundial, com safras de mais de 400 mil toneladas de cacau em meados da década de 1980, teve sua produção reduzida para cerca de 100 mil toneladas na década de 2000.

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Um estudo realizado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) e na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), com parcerias no país e no exterior, traz agora novas e importantes informações sobre o processo de infecção.

"Demonstramos, pela primeira vez, que o fungo sintetiza o hormônio citocinina. E esse hormônio, direta ou indiretamente, altera o equilíbrio hormonal da planta, levando ao crescimento excessivo dos tecidos infectados. Ocorre nesses tecidos algo semelhante a um câncer, que modifica o metabolismo e drena a energia da planta, competindo com a produção dos frutos e o crescimento das raízes. Por essa razão, a vassoura-de-bruxa debilita e leva à queda na produtividade dos cacaueiros”, diz o engenheiro agrônomo Antônio Figueira, professor titular do Cena-USP e coordenador da pesquisa.

"Até agora, as perdas na produção de cacau eram atribuídas, principalmente, à podridão dos frutos. O hormônio citocinina é reconhecido por induzir a formação de drenos metabólicos em plantas e esta parece ser a estratégia do patógeno, que, possivelmente, usa a citocinina para promover o aumento de biomassa no tecido onde ele reside. Depois, ao ocorrer a morte desse tecido infectado, o fungo oportunisticamente se utiliza da matéria seca vegetal para crescer e se reproduzir”, acrescenta o pesquisador.

Esses novos conhecimentos têm impacto direto nas estratégias de manejo da doença, nas quais o papel da inibição provocada pelo fungo no crescimento das raízes vinha sendo ignorado. Por outro lado, a recomendação de remover os ramos infectados, denominada poda fitossanitária, deve ser mantida e ampliada de forma a minimizar a ocorrência de drenos metabólicos.

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