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Caminhoneiros podem grevar a partir de segunda-feira

Parte dos representantes da categoria afirma que Bolsonaro não fez nada em favor dos caminhoneiros. No entanto, ainda há caminhoneiros que defendem o presidente

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Imagem ilustrativa da notícia Caminhoneiros podem grevar a partir de segunda-feira camera Categoria cobra promessas não cumpridas por Bolsonaro, como a redução do preço dos combustíveis | Marcelo Camargo - Agência Brasil (foto de maio de 2018)

20 de maio de 2018: caminhoneiros se unem em um movimento inédito, uma greve nacional que interrompeu o transporte rodoviário de quase todos os tipos de carga por 10 dias. O Brasil era governado por Michel Temer, após o impeachment de Dilma Roussef. Luís Inácio Lula da Silva havia sido preso um mês antes, no dia 7 de abril, mesmo assim, à época era apontado pelas pesquisas como favorito nas eleições que ocorreriam em outubro – a inelegibilidade de Lula para aquele pleito só foi confirmada pelo TSE em agosto de 2018.

Desde julho de 2017, o governo Temer havia adotado, como política de preços da Petrobras, a prática de reajustar os combustíveis de acordo com a variação cambial e da oscilação do barril de petróleo no mercado internacional, o que provocou sucessivos reajustes para o consumidor. Nesse contexto, crescia a insatisfação de muitos brasileiros, que começavam a enxergar que a crise seria solucionada com a eleição de Jair Messias Bolsonaro ao cargo máximo do executivo brasileiro, à despeito das inúmeras declarações do então deputado federal, que abertamente dizia não entender nada de economia.

Três anos depois da greve nacional histórica, diversas instituições que representam a categoria dos caminhoneiros cobram promessas não cumpridas de Bolsonaro e prometem deflagrar nova greve em todo o país a partir de 0h da próxima segunda-feira (26).

Caminhoneiros marcam greve para 25 de julho

Dentre as cobranças, estão a redução do preço dos combustíveis, a efetivação do piso mínimo e a liberação de pedágio para veículos sem carga.

Em fevereiro, o movimento de greve não vingou porque entidades de classe próximas ao governo e caminhoneiros simpatizantes de Bolsonaro encararam a proposta como protesto político. Segundo a reportagem do UOL, a divisão da classe continua, mas a expectativa é que a adesão agora seja maior.

“Temos muitas entidades que na outra oportunidade foram contra a paralisação e dessa vez estão a favor”, diz José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional do Transporte no Brasil. “Viram que se não fizermos algo, a categoria do caminhoneiro autônomo será extinta”.

Pelas mensagens em grupos de WhatsApp, rede social que serve como principal meio de mobilização da categoria, os organizadores apostam que o movimento será grande, pois a insatisfação dos caminhoneiros com o governo só aumenta.

“Tivemos uma reunião no dia 29 com o presidente da Petrobras, general Silva e Luna, para mostrar nossa preocupação com o preço dos combustíveis”, conta Plinio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (CNTRC).

“O que tivemos desde então foi um novo aumento”. Para Dias, os motoristas não veem sentido na argumentação do presidente Bolsonaro, que culpa os tributos cobrados por governadores pelo aumento do preço dos combustíveis.

Arrependidos

“Quem manda na Petrobras é o presidente, ele pode acabar com o preço de paridade internacional”, argumenta o presidente da CNTRC. “Bolsonaro disse que ia apoiar os caminhoneiros, mas nunca fez nada por nós. Muitos motoristas se arrependem de ter apoiado ele”.

Junior Almeida, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ourinhos e Região, por sua vez, acredita que a paralisação não vai vingar.

“Não há união nem para ajudar um companheiro na estrada, como vão falar em greve?”, criticou ele, em vídeo publicado no Instagram.

Apoiadores do presidente Bolsonaro infiltrados nos grupos de mensagem dos profissionais enviam textos desencorajando a paralisação.

“A gente está calejado, já sabemos quem está vendido e quem está comprado”, garante Gilson José da Cruz, o Mazzaropy, diretor da Cooperativa de Transportadores Autônomos de Carga do Brasil.

“A maior parte da categoria sabe que daquilo que o presidente prometeu ele não fez nada. Tenho colegas que estão com o caminhão parado porque não têm dinheiro para manutenção”.

Bolsonaro acena para a categoria

Na última terça-feira (13), durante cerimônia no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro fez um novo aceno à caterogia, prometendo reduzir os impostos sobre o diesel, medida que contaria com a concordância do Ministro da Economia, Paulo Guedes. "Nós pegamos uma isenção. Não vou entrar em detalhe aqui. E deixamos de dar uma isenção para tal setor. Com isso, sinalizamos para reduzir o PIS/Cofins do diesel, que está em R$ 0,31 [por litro]. Vamos passar para R$ 0,27 [por litro]", disse Bolsonaro.

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