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11 ANOS DO DOL

Impeachment e facada: a política brasileira de pernas pro ar

O cenário político brasileiro mudou drasticamente nos últimos anos com a ascensão da extrema direita no país. Nesse meio tempo, aconteceu de tudo: povo nas ruas, impeachment, facada e a improvável eleição de Bolsonaro, em 2018.

quarta-feira, 15/09/2021, 07:00 - Atualizado em 16/09/2021, 07:09 - Autor: Diário Online


A facada que tirou Bolsonaro dos debates eleitorais de 2018 e comoveu o país: o candidato venceu o pleito contra Fernando Haddad (PT).
A facada que tirou Bolsonaro dos debates eleitorais de 2018 e comoveu o país: o candidato venceu o pleito contra Fernando Haddad (PT). | Reprodução

Em 2010, Luís Inácio Lula da Silva concluía dois mandatos com uma aprovação popular pouco vista entre os presidentes brasileiros. Em pesquisa de opinião no Instituto Datafolha, a gestão Lula era considerada boa ou ótima para cerca de 83% da população. Não é à toa que ele conseguiu transferir votos para uma sisuda e pouco conhecida ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. No mesmo ano, ela se elegeria a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo executivo no Brasil.

Parecia mesmo uma lua de mel com a esquerda hegemônica capitaneada pelo PT e quem fizesse previsões do que viria nos anos seguintes provavelmente erraria feio. Dilma se elegeu e continuou os programas sociais iniciados por Lula e também o plano econômico desenvolvimentista baseado na atração de capital externo, consolidação do mercado consumidor nacional e na execução de grandes obras, principalmente, de infraestrutura.

Acusações de corrupção no governo, sobretudo na estatal Petrobras, e instabilidades na Economia, como índices de inflação além das metas estipuladas, fizeram do primeiro mandato de Dilma uma travessia sob ataque e muitas críticas. Mas o caldo de insatisfação que transformou de vez o cenário político nacional explodiu em São Paulo, em 2013, e não estava voltado à presidenta inicialmente. Na época quem administrava a capital paulista era outro personagem, que viria a ser mais importante nacionalmente nos anos seguintes, o petista Fernando Haddad.

Das manifestações paulistanas de junho de 2013 contra aumento da tarifa do transporte público, o movimento se espalhou pelo Brasil e ampliou a pauta de queixas da população. Desses atos com multidões nas ruas, surgiram as bases da direita que ajudariam a eleger, mais tarde, um até então obscuro deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro: Jair Messias Bolsonaro. Na época, ele já ganhava destaque com declarações homofóbicas e racistas em programas de auditório e humorísticos.

 

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Dilma Rousseff chegou a 2014 desgastada, mas se elegeu para o segundo mandato com Lula como cabelo eleitoral e uma união de partidos e entidades de esquerda que garantiram o corpo a corpo nas ruas. O oponente Aécio Neves (PSDB) ficou muito perto de vencer, sendo o placar apertadíssimo: a petista obteve 51,64% e ele 48,36% dos votos válidos. A imagem de espanto de Aécio perdendo a eleição dentro do comitê tucano entrou para história, assim como a contestação do resultado nas urnas, o que gerou mais desgaste.

Dilma não chegaria ao fim do mandato. O desgaste político, a pressão de partidos e movimentos de direita e uma articulação de instituições com o Congresso Nacional levaram ao impeachment da presidenta. O processo foi iniciado em 2 de dezembro de 2015, quando o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha deu seguimento ao pedido dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, que alegaram as famosas pedaladas fiscais como motivo para tirá-la do poder.

Duzentos e setenta e três dias depois, em 31 de agosto de 2016, após um debate intenso sobre crimes de responsabilidade, o mandato de Dilma foi cassado, mas sem perda dos direitos políticos. A sessão histórica foi marcada por discursos em prol da família por partido dos favoráveis ao impedimento e indignação dos que eram partidários da preservação do mandato.

 Lula preso, Bolsonaro presidente

Nos últimos 11 anos, nenhuma ação institucional mexeu tanto com o rumos políticos como a Operação Lava-jato, iniciada em março de 2014 e dividida em dezenas de fases pelo Ministério Público Federal (MPF) com boa parte dos processos penais julgados em Curitiba, no Paraná. É nesse contexto que surgem o procurador federal Deltan Dalagnol e o juiz federal Sergio Moro. Pelas mãos dos dois, peças-chaves do poder republicano foram condenadas e mandadas à cadeia, incluindo o ex-presidente Lula.

Decretada por Moro ao julgar o processo do tríplex do Guarujá, a prisão de Lula ocorreu no dia 7 de abril de 2018 e mudou de forma definitiva o cenário daquele ano, em que o ex-presidente liderava todas as pesquisas de intenção de voto, porém ficou de fora da disputa devido à condenação.

Esgotados os recursos jurídicos para tirar Lula da prisão, em setembro, o PT anunciou Fernando Haddad como candidato. Seria ele um porta-voz de Lula em defesa de sua inocência e ao mesmo tempo a cabeça do projeto petista de retornar à Presidência da República. O professor e ex-prefeito de São Paulo conseguiu chegar ao segundo turno contra Bolsonaro, que venceu a eleição no dia 28 de outubro. O atual presidente conquistou 55,13% e o derrotado, 44,87%, dos eleitores.

Foi uma eleição atípica com nomes conhecidos, como o tucano Geraldo Alckimin e a Marina Silva, do Partido Verde, tendo resultados irrisórios. Sem contar o incidente de setembro de 2018, quando Adélio Bispo esfaqueou Bolsonaro na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O caso tirou o então candidato de todos os debates para recuperação e causou comoção nacional.

O pleito de 2018 também foi negativamente marcado pelo uso de redes e mídias sociais para espalhar notícias falsa, as chamadas fake News. A mais famosa delas dizia respeito a Fernando Haddad e lhe associava à distribuição de um “kit gay” para crianças em escolas públicas, o que nunca foi provado, mas dominou o debate eleitoral daquele ano.

 

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