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REVOLTA

MG: preço dos RUs pode subir de 1,90 para 9 reais

Se ocorrer a nova taxação, a refeição que custava R$ 1,90 terá aumento de cerca de 500% e a medida revoltou alunos

segunda-feira, 22/11/2021, 15:55 - Atualizado em 22/11/2021, 15:56 - Autor: Redação


Protestos eclodiram no campus e nas redes sociais
Protestos eclodiram no campus e nas redes sociais | Reprodução/Twitter

Atualmente, no Brasil, a alta no preço de produtos essenciais, como os combustíveis e alimentos, é cada vez mais sentida, principalmente pelos mais pobres. E, em vez de auxiliar quem precisa, algumas medidas tornam ainda mais difícil a situação que já está um caos para muita gente.

Estudantes da Universidade Federal de Viçosa, na Zona da Mata, em Minas Gerais, protestaram contra a mudança na política de preços dos restaurantes universitários da instituição, divulgada na última quarta-feira (17). As manifestações eclodiram dentro da comunidade acadêmica, tanto no campus, quanto nas redes sociais. As informações são do jornal O Tempo.

O anuncio dizia que o custo da refeição passaria de R$ 1,90 para R$ 9,00, o que enfureceu o corpo discente. A hashtag #UFVTaOsso ficou entre as mais comentadas do Twitter brasileiro nesta segunda-feira (22). A decisão ainda precisa ser aprovada em última instância para ser aplicada.

“Mais um reflexo da política do desmonte da universidade pública e da assistência estudantil”, escreveu um aluno na rede social. “Quase 500% de aumento. Quase R$ 20 por duas refeições diárias. Projeto de elitização do ensino escancarado”, disse outro.

A UFV defendeu, em nota, que não há reajuste no preço dos restaurantes há 15 anos. Além disso, segundo a instituição, a nova política pretende limitar os gastos com as refeições e, principalmente, “subsidiar apenas os estudantes (do ensino médio à pós-graduação) em situação de vulnerabilidade socioeconômica”.

“Atualmente, todos os estudantes da UFV recebem subsídio integral ou parcial para alimentação”, informa a universidade. A instituição também atribui a mudança aos cortes escalonados no orçamento nos últimos anos, além da dificuldade financeira.

Segundo a UFV, sem a mudança na política de preços, seria necessário um investimento de R$ 20 milhões – que deixaria um buraco de R$ 4.882.013 no orçamento, conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), visto que há R$ 15.117.987 previstos para aportes nos restaurantes universitários.

A professora Sylvia do Carmo Castro Francheschini, pró-reitora de Assuntos Comunitários, falou sobre o assunto. “Temos que tomar atitudes que nem sempre agradam. Mas vivemos sob um guarda-chuva que é o orçamento e sem ele não se faz nada”, disse ela durante o fórum que discutiu as medidas, realizado na última terça-feira (16).

“No caso dos estudantes de graduação, pela nova proposta, dos R$ 15.117.987,00 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) previstos para a UFV em 2022, R$ 10.582.590,00 seriam repassados para os RUs. Desse valor, 90% seria utilizado para subsidiar alimentação gratuita para os estudantes de graduação em vulnerabilidade socioeconômica. Os outros 10% seriam divididos em duas faixas, para estudantes em menor vulnerabilidade, que receberiam subsídios de 70% e de 50%. Com isso, a Universidade saltaria dos atuais 2.095 estudantes de graduação beneficiados com subsídio integral para 3.110; e atenderia mais 1.286 nas faixas 1 e 2 de subsídios, totalizando 4.396 subsidiados, o que representa cerca de 26,1% dos alunos de graduação”, argumenta a universidade.

"DO NADA"

A reportagem do jornal O Tempo ouviu estudantes da universidade, que relataram que o aumento nos preços dos RUs no campus veio “do nada”.

“É muito triste ver o processo de sucateamento das Universidades Federais tão de perto, tão descarado. Não tenho dúvidas de que se as refeições do RU realmente custarem 9 reais muitos estudantes passarão fome. É impossível lidar agora, dois meses antes do retorno presencial, com um aumento no orçamento alimentar de 400%”, revelou uma estudante á reportagem.

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