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PF irá investigar mais uma vez a facada em Bolsonaro

Em ano de eleição, desta vez, o inquérito será presidido pelo delegado Martin Bottaro Purper, 43, que já investigou o PCC.

quarta-feira, 05/01/2022, 10:03 - Atualizado em 05/01/2022, 10:55 - Autor: DOL com informações da Folha de São Paulo.


A Justiça o considerou Adélio Bispo doente mental e, por isso, inimputável
A Justiça o considerou Adélio Bispo doente mental e, por isso, inimputável | Reprodução

Após quase quatro anos do atentado contra Jair Bolsonaro - e com duas investigações apontando que o autor da facada, Adélio Bispo, agiu sozinho - a Polícia Federal irá abrir, pela terceira vez, uma investigação sobre o caso que, por sinal, já estava arquivado pela  3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG), desde julho de 2020.

Desta vez, a PF designou o delegado Martin Bottaro Purper, 43, para presidir o novo inquérito, conforme divulgou a Folha de São Paulo, hoje (5). Ele entrou para a corporação em 2004, como agente administrativo, e dois anos depois, foi empossado delegado. Em seu currículo está uma investigação sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O atentado contra Bolsonaro aconteceu em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), pouco mais de um mês antes das eleições presidenciais daquele ano. Na ocasião, ele estava em campanha para a presidência da República. O, então candidato, foi atingido com uma facada no abdômen. O golpe foi dado por Adélio Bispo de Oliveira que, segundo as duas primeiras investigações feitas pela Polícia Federal, agiu sem ajuda de terceiros ou a mando de alguém.

O "atentado" fez com que Bolsonaro não participasse dos debates contra seus rivais pela presidência. Mesmo assim, seguiu agenda pelo país. Quatro anos depois, novamente em ano de eleição, a família Bolsonaro segue não acreditando na conclusão dos inquéritos e questiona o trabalho dos policiais federais.

No novo inquérito, Martin Bottaro deverá buscar informações que possam esclarecer se Adélio Bispo agiu sozinho. Desta forma, o advogado  Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que atuou na defesa do acusado, também será investigado. Um pedido de quebra de sigilo bancário e dos celulares dele reabriu em partes a apuração sobre o caso. A intenção é identificar quem custeia a custeia a defesa de Bispo.

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Em novembro passado, com base em um pedido do criminalista Frederick Wassef, advogado do clã Bolsonaro, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), determinou a reabertura do caso. O tribunal autorizou que a PF vasculhe dados bancários e o conteúdo do celular apreendido em poder do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, um dos defensores de Adélio. As informações podem revelar quem custeou os honorários advocatícios, o que, para Bolsonaro e seus aliados, levará a polícia ao suposto mentor do crime.

 

Adélio Bispo e o advogado Zanone Manuel de Oliveira Junior.
Adélio Bispo e o advogado Zanone Manuel de Oliveira Junior. | Reprodução
  

Em dezembro de 2018, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em propriedades de Oliveira Júnior com o objetivo de apreender documentos, celulares e computadores para descobrir quem bancava a assistência jurídica. A autorização foi da Justiça Federal em Minas Gerais.

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A pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), sob o argumento de que houve quebra de sigilo profissional, o TRF-1 concedeu uma decisão liminar (provisória) para brecar a análise ou perícia dos materiais apreendidos, revertida há cerca de dois meses após o recurso de Wassef.

O advogado Fernando Magalhães, que também atuou na defesa de Adélio, afirmou que um recurso contra a decisão do TRF-1 será analisado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e, eventualmente, o STF (Supremo Tribunal Federal) também será acionado.

"A quebra do sigilo deferida ainda pende de recursos e acredito piamente que a Justiça irá prevalecer, impedindo uma inversão de valores, neste tema não me parece lícito e ou correto investigar 'a atuação defensiva' ao invés 'da fonte que despendeu a força motriz para o ato'", disse à Folha de São Paulo, por meio de mensagem.

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A autorização para coleta do material nos celulares dos advogados está na Justiça e ainda precisa ser analisada pelo Superior Tribunal de Justiça e, eventualmente, pelo Supremo Tribunal Federal. O argumento da defesa é de que a ação fere o princípio de sigilo profissional entre advogados e clientes.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu alta, hoje (5), pela manhã, após ficar dois dias internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde se recuperava de uma obstrução intestinal. Ao ser internado na segunda-feira (3) com fortes dores abdominais, reflexo ainda do ferimento no abdômen, o presidente e apoiadores voltaram a abordar o assunto da facada.

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