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IMUNIZAÇÃO

Tire dúvidas sobre a vacinação de crianças contra a Covid

Confira algumas dúvidas e respostas sobre a imunização liberada para a faixa etária entre 5 a 11 anos, como a necessidade da aplicação, o tipo de vacina aplicada e sobre se há algum efeito colateral no público infantil

sábado, 15/01/2022, 09:34 - Atualizado em 15/01/2022, 09:34 - Autor: Agência O Globo


A eficácia da vacina da Pfizer em crianças é de mais de 90%
A eficácia da vacina da Pfizer em crianças é de mais de 90% | REPRODUÇÃO

A vacinação de crianças contra a Covid-19 no Brasil começou nesta sexta-feira (14) com a imunização do menino indígena de 8 anos, Davi Xavante, que mora no estado de São Paulo. A vacinação não será obrigatória, mas os pais que se recusarem a imunizar seus filhos podem ser multados ou até perder a guarda.

Desde a autorização para aplicar a vacina da Pfizer na faixa etária de 5 a 11 anos, muitas dúvidas surgiram na população. A reportagem compilou as principais dúvidas com as suas respectivas respostas desse novo ciclo de proteção contra a Covid-19.

O que fazer quando os sintomas aparecerem:

l O critério principal segue sendo avaliar o estado geral da criança: se está comendo, brincando, sorrindo quando não apresenta febre. Nestes casos, os pais podem seguir tratando em casa os sintomas , sempre observando a evolução da doença na criança.

Nessa faixa etária, os quadros gripais devem ser de leves a moderados. No entanto, eles costumam melhorar com 3 a 5 dias de acompanhamento. Dificilmente alguma criança fará um caso mais grave. Crianças de menos de um ano merecemobservação mais atenta.

Quais são os primeiros sintomas:

l Para qualquer pessoa - criança ou adulto - com quadro febril, gripal (coriza, tosse, espirros, nariz entupido, incluindo dor de garganta e cefaleia), ou gastrointestinal (vômitos, diarreia) é preciso se isolar em casa e fazer um teste para saber se é Covid-19. Pode ser exame do tipo PCR ou de antígeno, já no segundo ou terceiro dia de sintomas. Se um adulto sintomático testar positivo e houver crianças com sintomas em casa, elas podem ser consideradas positivas por suposição. Nesse caso, a família toda deve se manter em isolamento.

Como tratar em casa:

l O tratamento deve ser feito com muito soro nasal em spray, lavagem nasal com soro morno se a secreção ficar mais espessa ou o nariz estiver entupido. Deve-se oferecer frutas. A criança deve comer o que conseguir. Evitar biscoitos e outros ultraprocessados. É importante oferecer água com frequência. Hidratação é muito importante, e a criança não costuma pedir. Uma colher de chá de mel três vezes por dia para os maiores de um ano e meio ajuda a acalmar a tosse. Tratar febre só acima de 38,5°C. Usem paracetamol (0,8 gotas por kg) ou dipirona (0,6 a 0,8 gotas por kg). Banho morno ajuda a abaixar a febre e sesentir melhor. Nunca gelado.

Quando é o momento de ir para o hospital:

l Se a febre persistir até o quarto ou quinto dia de sintomas e o estado geral for ruim, se houver piora progressiva ou alterações respiratórias (criança ofegante, com a respiração encurtada sem ter feito nenhum esforço físico), ou qualquer sinal mais alarmante, a criança deve ser examinada por um médico. É o momento de entrar em contato com o pediatra do seu filho ou levá-lo a uma emergência.

O que fazer se os pequenos se contaminarem com a covid?

Com a vacinação infantil dando os primeiros passos no Brasil, pais e responsáveis de crianças de 5 a 11 anos estão cheios de dúvidas sobre como lidar com a infecção por coronavírus. Como protegê-los? Há sintomas específicos entre eles? Qual o tratamento a ser seguido? Daniel Becker, pediatra, sanitarista e membro do Comitê de Enfrentamento à Covid da Prefeitura do Rio, decidiu escrever uma carta aberta aos pais e responsáveis de seus pequenos pacientes que inundavam seus contatos com dúvidas acerca do atual cenário de saúde no país. Em sua mensagem, o médico tenta acalmar pais e responsáveis, passando orientações práticas e reforçando seu apoio à vacinação infantil contra a Covid-19 .

O pediatra destaca que dificilmente uma criança vai ter um quadro grave ao se infectar pela doença. No entanto, a necessidade de internação pode acontecer e, por isso, os pais e responsáveis devem ficar atentos ao estado de saúde da criança. Dados contabilizados pelos Cartórios de Registro Civil brasileiros mostram que, entre março de 2020 e janeiro deste ano, foram notificados 324 óbitos na faixa de 5 a 11 anos causados pela Covid-19. Dentre as mortes, 65 ocorreram em pequenos de apenas 5 anos de idade.

P Quais vacinas já foram aprovadas para crianças no Brasil?

Atualmente, a única vacina que pode ser aplicada em crianças de 5 a 11 anos no país é a da Pfizer. A autorização concedida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ocorreu em 16 de dezembro de 2021.

Outras farmacêuticas também buscam autorização para utilizar seus produtos nos pequenos. Um exemplo é a Coronavac, que será testada no Espírito Santo a partir dessa sexta (14) em pessoas de 3 a 17 anos de idade. No total, serão 1.280 participantes.

P A vacina usada para crianças é a mesma administrada em adultos?

R A vacina para os pequenos tem algumas diferenças. O primeiro ponto é a dosagem: para os maiores de 12 anos, a dose é de 0,3 ml, enquanto para os menores a dosagem é de 0,2 ml. O tempo de armazenamento também muda. Enquanto para os mais velhos o imunizante pode ficar na geladeira entre 2ºC a 8ºC durante apenas um mês, para os pequenos são permitidas até dez semanas. Além disso, o frasco da vacina das crianças comporta dez doses, mais do que a versão para maiores de 12 anos, que comporta seis doses.

P Quais os riscos da vacinação dos menores?

R Ainda não há indicativos de efeitos colaterais sérios da vacinação dos menores.

Jamal Suleiman, infectologista do Hospital Emílio Ribas, afirma que o imunizante para essa faixa etária é seguro e necessário. “É uma vacina extremamente segura, com ocorrência de eventos adversos de somente 0,05% [em crianças a partir de cinco anos]”, diz. Dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em tradução do inglês) também indicaram que efeitos colaterais graves são raríssimos nesta faixa etária. Em um estudo, a agência avaliou relatórios recebidos de médicos e do público, assim como respostas a pesquisas com pais ou responsáveis por aproximadamente 43 mil crianças entre 5 e 11 anos.

A maioria das crianças relata somente dor no local da injeção, cansaço, dor de cabeça ou febre. Relatos de miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco, foram registrados somente em 11 vacinados. Desses, sete crianças haviam se recuperado e quatro estavam se recuperando no momento do relatório, afirmou o CDC.

P Por que é importante vacinar as crianças?

R Ao contrário dos efeitos colaterais que são ínfimos, os benefícios de vacinar as crianças é bem maior, como a diminuição de casos graves e mortalidade dos pequenos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou na quinta passada (6) uma nota em que informava que pesquisas feitas até o momento apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica. A entidade indicou, ainda, como os imunizantes são essenciais para evitar formas graves da Covid-19.

“A vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos, é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas”, disse.

A publicação da nota ocorreu horas após o presidente Jair Bolsonaro (PL) atacar a vacinação infantil e pedir que pais não se deixem levar pelo que chamou de propaganda. O presidente afirmou que desconhece a morte de crianças por Covid-19, mas dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) informam que foram registradas 301 mortes de crianças entre 5 e 11 anos por Covid-19 no país, de 2020, quando a pandemia teve início,
até 6 de dezembro de 2021.

P Quais os impactos da variante ômicron no caso das crianças?

R A ômicron é uma cepa reconhecida por ser mais transmissível e fez os diagnósticos de Covid explodirem no Brasil nas últimas semanas.

Nessa situação de disseminação da nova cepa, a vacinação das crianças é ainda mais necessária, afirma Renato Grinbaum, membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). “É necessário [a vacinação] porque as novas variantes estão se disseminando com uma maior intensidade nas populações não vacinadas, inclusive em crianças”, diz.

Os Estados Unidos, por exemplo, já bateram recorde de crianças internadas com Covid em meio ao avanço da ômicron. Segundo informações do jornal Washington Post, 4.000 menores de idade estavam hospitalizados no último dia 5.

A variante também levou escolas a fechar no país, fazendo com que crianças retomassem o estudo direto de suas casas. No Brasil, medidas de suspensão das aulas presenciais ainda não foram tomadas, mas isso já é discutido entre especialistas.

“Estamos vendo o que essa variante está causando em todo o mundo e em todos os setores, todos estão tendo que ser mais cautelosos. Embora a escola tenha se mostrado um ambiente seguro, ela não é uma ilha”, disse, no começo deste ano, Vitor de Angelo, presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

O fechamento de escola pelo alastramento da ômicron pode trazer novamente problemas que já vêm sendo discutidos desde o início da pandemia, como as desigualdades
no acesso à educação.

P Crianças abaixo de cinco anos já podem ser vacinadas?

R No Brasil, nenhum produto foi aprovado para pessoas com menos de cinco anos. Segundo a presidente da Pfizer no Brasil, Marta Díez, a companhia pretende apresentar à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o pedido de autorização de uso da vacina em crianças de 6 meses a 5 anos.

“Estamos preparando resultados para crianças de 6 meses a 5 anos. Esperamos para 2022, mas ainda não sabemos quando”, afirmou.

Além disso, informações de um documento do Ministério da Saúde enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), indicava que a pasta prevê adquirir doses para crianças de 0 a 4 anos caso a vacina da Pfizer seja aprovada pela Anvisa.

No entanto, a imunização de crianças com menos de quatro anos contra a Covid já é realidade em alguns países. Os Emirados Árabes Unidos aprovaram o uso do imunizante Sinopharm para jovens de 3 a 17 anos. Cuba também já aplica a vacina produzida no próprio país em pessoas que tenham mais de dois anos.

P Haverá necessidade da terceira dose da vacina em crianças?

R As informações sobre aplicação de reforço em crianças ainda são pequenas. Segundo informações da Reuters, o FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) autorizou, em 03 de janeiro deste ano, uma terceira dose para crianças de 5 a 11 anos que são imunossuprimidas.

A decisão foi tomada para fornecer uma melhor proteção contra as variantes delta e ômicron, afirmou Peter Marks, diretor do Centro de Avaliação e Pesquisa Biológica do FDA. Dados já indicam que uma dose de reforço é importante para uma imunização mais
eficaz contra a ômicron.

No Brasil, está autorizado a dose de reforço somente para pessoas com mais de 18 anos e que tenham um intervalo mínimo de quatro meses a partir do esquema vacinal completo. A aplicação em outras faixas etárias ainda não foi anunciada.

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