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IMUNIZAÇÃO

Covid19: vacinação no Brasil completa um ano

O momento em que o Brasil completa um ano do início da vacinação contra a Covid é bem parecido com o de janeiro de 2021

sábado, 15/01/2022, 11:01 - Atualizado em 15/01/2022, 11:01 - Autor: ( Folhapress )


 Primeira criança vacinada, Davi, 8, é da etnia xavante e faz tratamento médico em SP
Primeira criança vacinada, Davi, 8, é da etnia xavante e faz tratamento médico em SP | reprodução

17 de janeiro de 2021, a enfermeira Mônica Calazans foi a primeira a receber vacina contra a covid 19 no Brasil, fora de estudos clínicos. De lá para cá foram mais de 300 milhões de doses aplicadas.

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 O momento em que o Brasil completa um ano do início da vacinação contra a Covid é bem parecido com o de janeiro de 2021: o governo Bolsonaro faz falas contra os imunizantes, começa uma nova fase da campanha vacinal e mais uma variante provoca uma onda de infecções que se alastra rapidamente pelo país.

A aplicação da Coronavac ocorreu no Centro de Convenções do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na capital paulista.

Quase um ano depois, nesta sexta (14), foi a vez de o indígena Davi Seremramiwe Xavante, 8, ser a primeira criança menor de 12 anos vacinada contra a Covid no Brasil. Mais uma vez, no Hospital das Clínicas.   

 

 Primeira criança vacinada, Davi, 8, é da etnia xavante e faz tratamento médico em SP
Primeira criança vacinada, Davi, 8, é da etnia xavante e faz tratamento médico em SP | reprodução
 


Antes da vacinação de Calazans, em 2021, Bolsonaro questionava a segurança dos imunizantes. Chegou a fazer chacota quando testes da Coronavac foram paralisados pelo suicídio de um voluntário.

"Mas pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas", disse Bolsonaro, em entrevista ao próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em dezembro de 2020. Na mesma ocasião, afirmou que a pandemia estava chegando ao fim.

Enquanto outros países já começavam a vacinação, não havia sinais de início no Brasil –o governo federal não assinara contrato para fornecimento dos imunizantes da Pfizer-BioNTech. "Para que essa ansiedade, essa angústia?", afirmou sobre o início da vacinação o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Uma demora semelhante e constantes falas se opondo à vacinação infantil contra a Covid marcaram o fim de 2021 e o início de 2022. O governo chegou a abrir uma consulta pública e planejar exigência de pedido médico para vacinar crianças de 5 a 11 anos.

"A pressa é inimiga da perfeição. Principal é a segurança", afirmou, em dezembro de 2021, Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, ao ser questionado sobre a possibilidade de antecipar a vacinação infantil, com vacinas da Pfizer (imunizante com registro definitivo na Anvisa), que já ocorria em segurança em outros países.

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Renato Kfouri, pediatra, infectologista e diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), destaca que o ministro não perde a chance de falar que só os pais que quiserem vão vacinar as crianças contra a Covid.

"Nós temos um presidente antivacinista que, sempre que pode, fala mal das vacinas", diz Kfouri. "O lançamento da vacina nas crianças foi quase um pedido de desculpas por ter colocado a vacina no calendário." Apesar de todas as falas negativas, a vacinação no país foi muito bem recebida pela população, que, em vários momentos, chegou a enfrentar filas para conseguir sua dose.

A demora para o início da vacinação, porém, pode ter acarretado um custo de vidas, diz Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). "Com vontade política e planejamento adequado, nós teríamos evitado milhares de mortes, porque já teríamos a população vacinada antes e com maior celeridade."

O ano de vacinação jogou mais luz sobre algo que já era comprovado por estudos: as vacinas são seguras e eficazes para os mais diversos grupos. "O objetivo delas foi diminuir mortalidade e hospitalização. Todas elas cumpriram muito bem esse papel", afirma Stucchi.

Por aqui, até mesmo o impacto da delta –altamente transmissível e que fez estragos em outras nações– foi relativamente pouco sentido, apesar da presença maciça da variante no país. Segundo Stucchi, a explosão anterior da variante gama no Brasil, que levou a médias de mortes superiores a 3.000 por dia e a um amplo contato prévio com a doença na população, é uma das explicações para o impacto menor da delta. A outra é o grande contingente de pessoas com vacinação recente e, consequentemente, maior proteção.

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Esse, por sinal, é um dos aprendizados do Brasil e do mundo no último ano. As vacinas têm uma diminuição da proteção com o passar do tempo, diz Kfouri. Além disso, observou-se uma maior efetividade de vacinas de RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer, para populações mais frágeis, como pessoas imunocomprometidas e idosos. O déjà-vu no Brasil se completa com uma nova variante. A chegada da ômicron fez explodir as infecções.

A nova variante deixou claro algo que muito se pesquisava e especulava sobre as vacinas disponíveis: elas, sem dúvida, dificultam a transmissão, mas não necessariamente conseguem impedi-la. "Ela é transmissível demais e não poupa vacinados", diz Kfouri. Para o segundo ano vacinal contra Covid, o diretor SBIm espera que, possivelmente, todos acabem tendo que tomar alguma dose a mais.

Ao mesmo tempo, vacinas atualizadas com cepas dominantes do Sars-CoV-2 e ainda mais efetivas para conter a transmissão devem surgir. Afinal, a política de aplicação constante de doses de reforço não é viável, como vem apontando a OMS (Organização Mundial da Saúde). Para que as campanhas vacinais tenham sucesso de forma ainda mais robusta dentro dos países, entidades e especialistas têm alertado que é necessária uma distribuição mais igualitária dos imunizantes pelo mundo.

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