Um crime aterrador. Ou melhor, dois crimes aterradores envolvendo a morte de um refugiado congolês no Rio de Janeiro, cidade onde ele veio morar com a família, fugido da guerra civil e da fome que assola o país centro africano.
No último dia 24, Moïse Kabamgabe foi espancado até a morte dentro do quiosque que trabalhava. O jovem imigrante foi ao local cobrar algumas diárias que o proprietário lhe devia. No entanto, ele não saiu voltou.
O responsável pelo quiosque estava devendo dois dias de pagamento para Moïse e após uma discussão teria chamado outros homens para torturar o ex-funcionário.
“Corda, amarram ele junto com as pernas e mãos. A polícia veio depois de 20 ou 40 minutos”, disse o irmão da vítima, Djodjo Baraka Kabagambe.
As agressões duraram pelo menos 15 minutos e foram gravadas pelas câmeras de segurança do quiosque. Moïse apanhou de 5 homens que, segundo testemunhas, usaram pedaços de madeira e um taco de beisebol. Ele foi encontrado em uma escada, amarrado e já sem vida. O dia de trabalho continuou normalmente com o corpo de Moise no corredor do estabelecimento.
CADÊ OS ORGÃOS?
Os parentes só souberam da morte na manhã de terça-feira (25), quase 12 horas após o crime. E ficaram ainda mais revoltados durante o reconhecimento do corpo no IML, quando um outro crime surgiu.
“Quando a notícia chegou até nós, fomos no IML na terça de manhã e a gente já encontrou ele sem órgão nenhum, sem autorização da mãe, nem autorização dele de ser doador de órgão. Onde estão os órgãos? Nós não sabemos. Em menos de 72h ele foi dado como indigente. Infelizmente, a gente vive aqui, mas estamos na insegurança”, diz a prima Faida Safi.
“Uma pessoa de outro país que veio no seu país para ser acolhido. E vocês vão matá-lo porque ele pediu o salário dele? Porque ele disse: ‘Estão me devendo’?”, questionou Chadrac Kembilu, primo de Moïse.
A família fez um protesto neste sábado (29) pedindo informações e denuncia que os órgãos da vítima foram retirados sem consentimento no Instituto Médico-Legal (IML).
O protesto na praia da Barra da Tijuca rompeu o silêncio de um crime cometido há cinco dias. Moïse Kabamgabe nasceu no Congo, na África, e trabalhava por diárias em um quiosque perto do Posto 8.
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