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Nome sujo? Saiba como se organizar para pagar as dívidas

Diante do número recorde de mais de 66 milhões de inadimplentes no Brasil, especialista dá dicas de educação financeira aos consumidores.

terça-feira, 21/06/2022, 08:02 - Atualizado em 21/06/2022, 07:58 - Autor: Trayce Melo/Diário do Pará

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De janeiro a junho deste ano, mais de dois milhões de brasileiros entraram para a lista de devedores.
De janeiro a junho deste ano, mais de dois milhões de brasileiros entraram para a lista de devedores. | Wagner Santana/Diário do Pará

No mês de abril, a inadimplência dos brasileiros bateu novo recorde: 66.132.670 pessoas com dívidas em aberto. O resultado é o maior número da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2016.

Segundo o Indicador de Inadimplência da Serasa Experian, desde o início do ano, mais de dois milhões de brasileiros se tornaram inadimplentes. Em valores, essas dívidas somam mais de R$ 271,6 bilhões.

Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o aumento da inadimplência no decorrer de 2022 era esperado. “Sabemos que a instabilidade econômica do país vem afetando grande parte da população. No entanto, algumas ferramentas, como o saque extraordinário do FGTS e a antecipação do pagamento do 13º salário para aposentados, podem e devem ser utilizadas para reorganizar as finanças pessoais, amenizar dívidas e tentar tirar o nome do vermelho”, conta.

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Sobre o perfil das dívidas, os segmentos de Bancos e Cartões concentram 28,1%. Já contas básicas, como água, luz e gás, representam 22,9%. Na comparação com abril de 2021, o setor de Financeiras foi o que teve maior aumento na participação de inadimplência, de 9,6% para 12,4%. Já o recorte por faixa etária mostra que os inadimplentes estão, em sua maioria, nas faixas de 26 a 60 anos (35,2%) e de 41 a 60 anos (34,8%).

A falta de planejamento financeiro é um dos grandes responsáveis pelo alto índice de inadimplência no país. A dificuldade de controlar o orçamento faz com que as pessoas enfrentem créditos com juros altos e se percam na hora de pagar as contas.

Para Yasmin Lohane, 22, autônoma, proprietária de uma barraca de roupas no centro comercial de Belém, tem sido muito difícil administrar as finanças. “Eu devo mais meus cartões de crédito, por conta do supermercado das crianças, materiais escolares e o cursinho”, diz.

Quando o orçamento não é o suficiente para quitar todas as contas, Kleber Mendes, 47, agente comercial, conta que recorre ao pagamento a prazo. “Eu lembro que antigamente a gente enchia um carrinho de supermercado com R$ 100. Hoje você não consegue comprar quase nada. Utilizo bastante o cartão de crédito para fazer supermercado, até o almoço que antes eu passava no débito, estou tendo de passar no crédito”, disse.

A crise sanitária provocada pela pandemia que impôs o isolamento social para preservar a saúde dos brasileiros fez surgir um novo tipo de inadimplente. São cidadãos que não se enquadraram em serviços essenciais, tiveram de fechar suas portas a fim de garantir o menor trânsito possível de pessoas em ambientes fechados e evitar Contaminação da Covid-19 ainda maior.

PANDEMIA

A medida, embora necessária para preservar a integridade física da população, do ponto de vista econômico acabou limitando e prejudicando uma série de trabalhadores, decretando um ponto final em suas atividades, pois dependiam diretamente da habitual clientela. Foi o caso de Nazareno Damasceno, 58, autônomo, dono de uma banca de revistas no bairro da Cidade Velha. “Com a pandemia, o fluxo de pessoas era menor pelas redondezas. Em virtude da medida do lockdown instaurada pelos governos estaduais e federal, precisei deixar a banca de portas fechadas. Isso me prejudicou muito, porque as dívidas não pararam de chegar com a pandemia”.

Lindomar Nascimento, 52, servidor público, revela que deve bastante, mas tem tentado economizar e chegou até a pedir empréstimo. “Com a pandemia, o custo de vida subiu muito, até a taxa de juros do banco aumentou. Eu compro mais o supermercado no cartão de crédito, porque além de me manter, tenho meus filhos e meus netos que eu ajudo. O maior gasto mesmo é na área de alimentação. Tendo em vista que tende a aumentar mais ainda com o preço da gasolina e do diesel que já sofreu reajuste”, lamenta.

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