Dados relatados pela organização Transgender Europe (TGEU), que monitora estatísticas globais levantadas por instituições trans e LGBTQIA+, 70% de todos as mortes de pessoas trans registradas em 2021 aconteceram na América do Sul e Central, sendo 33% destas somente no Brasil. O país lidera o ranking global nos últimos 13 anos.
Apesar de ser configurada como crime desde 2019, a transfobia ainda é extremamente comum no Brasil e novos casos são relatados todos os dias. Uma mulher trans de Rio Branco, capital do Acre, denunciou ter sido vítima de transfobia em seu local de trabalho, um salão de beleza, por parte de uma cliente.
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No relato, a cabeleireira e maquiadora Vitória Bogéa, de 20 anos, afirma que uma mulher chegou ao estabelecimento e, na hora de ser atendida, teria se direcionado a ela, propositalmente, com pronomes masculinos.
Em seguida, após ser corrigida por Vitória, a mulher teria solicitado o registro de nascimento da vítima dos atos transfóbicos.
“Estava na minha vez e fui chamada pra atender essa mulher. Daí, no momento que cheguei, ela já foi se direcionando a mim no masculino, perguntando: ‘esse rapaz que vai me atender? Esse moço que vai fazer meu cabelo? Eu fiquei um pouco incomodada com isso e corrigi, disse que ela deveria me tratar no feminino. Só que ela foi muito debochada e, rapidamente, falou: ‘cadê o registro de nascimento’, para provar que eu realmente era uma mulher”, lembra ela, em entrevista ao G1 Acre.
De acordo com Vitória, o caso teria acontecido na última quarta-feira (22). Ela conta que, por conta da situação, decidiu não atender a cliente e, quando a mulher percebeu que a jovem tinha ficado incomodada, pediu desculpas e disse que era uma "brincadeira".
Apesar de se sentir ofendida com a solicitação dos documentos, Vitória pegou sua identidade em que consta seu nome e mostrou à mulher.
“Mostrei meus documentos e falei que meu nome era sim Vitória, do sexo feminino, que tenho meus direitos e que aquilo que ela fez foi transfobia. Ela disse que era brincadeira, que tinha até amigas que eram trans também, pra eu deixar isso pra lá. Eu falei que o que ela fez foi um crime. Ela me tratou novamente no masculino e falou ‘desculpa, meu amigo”, ressaltou.
A cabeleireira não quis revelar o nome da acusada e disse que vai resolver a situação na justiça.
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