A divulgação de fake news sobre vacinas tem disseminado temor entre famílias. É o que aponta a pesquisa apresentada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pelo Instituto Questão de Ciência. O estudo colheu informações junto a cerca de mil pediatras brasileiros para compreender a visão dos especialistas a respeito da vacinação e as dúvidas mais comuns sobre o tema, relatadas pelas famílias durante as rotinas de atendimento pediátrico.
A pesquisa revela que o medo de possíveis eventos adversos (19,76%) aliado à falta de confiança nas vacinas (19,27%) são atualmente os principais motivos que levam pais e responsáveis a negligenciar a vacinação de crianças e adolescentes. Outras alegações comumente ouvidas em consultório são o “esquecimento” (17,98%); a falta de vacinas no serviço público (17,58%); e o preço das vacinas nos serviços privados (10,69%).
LEIA MAIS:
Covid-19 e gripe: vacinação está disponível hoje em Belém
Só 22% do público prioritário tomou vacina contra Influenza
Mesmo com tantos benefícios, sendo gratuita e com eficácia comprovada, muitas informações falsas e distorcidas sobre as vacinas distribuídas nas redes de saúde pública circulam todos os dias pela internet e círculos sociais, ocasionando a queda na procura por vacinas e, consequentemente, favorecendo o aumento de casos de doenças que já estavam erradicadas.
Segundo os especialistas, esse conteúdo é veiculado sobretudo por meio das redes sociais (30,95% deram essa resposta). Aplicativos de mensagens, como o WhatsApp (8,43%), e a internet como um todo (13,60%) aparecem com um poder de influência superior ao da TV (3,34%).
CAMPANHA
Em Belém desde o dia 30 de maio acontece a campanha nacional de vacinação contra a Influenza. A vacina está sendo distribuída nas 59 salas da rede de Unidades Básicas de Saúde e pontos de instituições parceiras.
De acordo com a coordenadora municipal de Imunização, Nazaré Athayde, o estado está tendo uma baixa procura do imunizante, com cerca de 22% da população vacinada. Os idosos são os que mais estão indo se vacinar, já entre as crianças, que dependem dos pais e responsáveis, há pouca procura. A cobertura vacinal prevista é de 95% e menos da metade da população ainda não se vacinou. “Um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil são os pais que se recusam a dar aos filhos as vacinas obrigatórias. São famílias que caem em ‘fake news’ que acusam as imunizações de serem perigosas para a saúde dos bebês e das crianças. Por causa disso, o Brasil voltou a ter casos de doenças que estavam erradicadas”, explica.
A coordenadora afirma que os imunizantes são seguros e protegem vidas. “Não vamos acreditar em notícias falsas, as vacinas são seguras e eficazes. Já erradicaram várias doenças. Estamos correndo o grande risco de doenças que já estavam erradicadas voltarem, essas doenças causam sequelas irreparáveis para nossas crianças. No Brasil, temos o maior programa de vacinação, com mais de 18 vacinas disponíveis oferecidas às crianças e adolescentes conforme o Calendário Nacional de Vacinação”, informa.
Entre tanta gente desinformada, há as conscientes da importância da imunização
Na UMS de Fátima alguns pais levaram seus filhos para se vacinar nesta sexta-feira (26), a diarista Maria Silva, 36 anos, levou sua filha Sarah Silva de 6 anos para se vacinar. Ela conta que sempre mantém a carteira de vacinação da filha em dia. “Eu sempre trago minha filha para se vacinar, hoje ela veio tomar a vacina da gripe, mas está com as do Covid em dia. Eu não acredito nessas fake news, as vacinas são eficazes e salvam muitas vidas”, conta.
A professora Lindalva Ferreira, 44 anos, foi se vacinar e também trouxe a filha Alice Mesquita, 11 anos. As duas tomaram vacina da gripe. “É muito importante para as crianças e até para nós adultos. Temos tudo organizado para sempre estar com as vacinas em dia. A gente não tem que ter medo de nada, tem que trazer as crianças para se vacinar para crescerem saudável”, diz.
O nutricionista e educador físico, Rafael Andrade, 40 anos, trouxe a filha para se vacinar. Ele diz que precisamos acreditar na ciência. “A importância da vacina é justamente para a prevenção de doenças e evitar que algum vírus se multiplique. A gente precisa confiar na ciência, existem muitas informações falsas tentando tirar a credibilidade das vacinas, está tudo muito confuso. Eu acredito que se a gente procurar informação corretamente, com certeza a gente vai trazer os filhos para se vacinar e se vacinar também”, considera.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar