
O amor eterno entre Almenzinda Maria da Fonseca Abreu, de 71 anos, e Sebastião Francisco Abreu, de 72, transcendeu a vida, que, em uma história de cumplicidade e afeto inquebrantável, só mesmo a morte os separou. Após mais de quatro décadas de casamento, os dois faleceram com uma diferença de apenas duas horas, em São João del-Rei, Minas Gerais, deixando para seus filhos e netos a memória de um vínculo que, como o próprio amor, não conhecia limites.
Sebastião, que já havia enfrentado uma série de complicações de saúde, foi internado na Santa Casa da Misericórdia da cidade no dia 13 de julho, devido a uma infecção urinária e insuficiência cardíaca. Com o passar das semanas e o agravamento de seu quadro, o diagnóstico de pneumonia piorou ainda mais seu estado. Ele faleceu em 20 de agosto, após mais de 40 dias de internação.
Durante todo esse tempo, Almenzinda, sua esposa de uma vida inteira, permaneceu ao seu lado, recusando-se a deixar o companheiro de tantos anos sequer por um momento. De acordo com o filho do casal, o musicista Tiago Abreu, de 36 anos, o vínculo entre os dois era tão forte que Sebastião costumava dizer que a esposa era sua médica particular, e ambos insistiam para que nenhum outro acompanhante tomasse o lugar dela. "Eles não conseguiam ficar separados. Ela estava sempre ao lado dele", lembrou Tiago, tocado pela dedicação de sua mãe.
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No último dia de vida de Sebastião, Almenzinda, com seu olhar atento e sensível, percebeu que o marido estava em seus momentos finais. Ela pediu aos filhos para se revezarem ao seu lado, na esperança de que pudesse dar um pouco de descanso àquela rotina de dedicação constante. Tiago conta que naquele dia, enquanto o quadro de saúde de Sebastião piorava, a mãe, talvez em um pressentimento de que ele não resistiria, optou por voltar para casa. "Ela sabia que ele estava indo. Ela já parecia sentir que não o veria mais", disse o filho. Sebastião, então, faleceu em decorrência da falência múltipla dos órgãos e da pneumonia que o acometera.
Enquanto Tiago e o irmão Tadeu organizavam o velório e tentavam amenizar o impacto da perda para a mãe, algo surpreendente aconteceu. Almenzinda, que até então desconhecia a morte do marido, sofreu um ataque cardiogênico fulminante e foi socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ao chegarem ao local, os filhos se depararam com uma cena angustiante: a mãe estava sendo submetida a massagem cardíaca, mas, infelizmente, sem sucesso. Dois horas após a morte de Sebastião, Almenzinda também partiu. Foi como se, ao sentir que o marido não estava mais entre os vivos, seu coração, que sempre bateu forte por ele, parasse junto ao dele.
"Parecia que ele não queria morrer na frente dela, mas quando o coração dele parou, o dela também parou. Ele foi lá e levou ela", disse Tiago, refletindo sobre o amor profundo que unia seus pais.
Diante dessa separação física, mas não espiritual, os filhos tomaram a decisão de enterrar os dois juntos. O cemitério municipal, no entanto, só dispunha de uma gaveta e um túmulo no chão, o que os fez optar por colocar os dois caixões um sobre o outro. “Nem fisicamente nem espiritualmente eles conseguiram se separar”, afirmou Tiago, emocionado, ao lembrar o quanto seus pais eram inseparáveis, mesmo após a morte.
Almenzinda e Sebastião foram descritos por amigos e familiares como pessoas humildes, religiosas e profundamente acolhedoras. Conhecidos por suas ações de solidariedade, o casal deixou um legado de bondade e amor incondicional na comunidade onde viveram. Para Tiago, o exemplo de vida dos pais é algo que ele pretende manter vivo: "Não é porque eram meus pais, mas não conheci ninguém como eles. Eles deixaram muito de bom, e a gente quer continuar o que eles começaram."
O caso do casal de São João del-Rei (MG) é uma verdadeira história de amor que vai além da morte. Um amor que resistiu ao tempo, às dificuldades e que, até o fim, se manteve firme e forte, como um laço invisível, mas poderoso, que nunca se rompe.
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