Em momentos de grande repercussão pública, investigações sensíveis costumam extrapolar o campo técnico e ganhar contornos políticos e institucionais. É nesse terreno delicado, onde se cruzam Poder Judiciário, polícia e opinião pública, que surgem debates sobre limites, competências e equilíbrio entre as instituições responsáveis por apurar fatos de interesse nacional.
Foi nesse contexto que a condução do inquérito envolvendo o Banco Master pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou uma reação formal da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). Em nota pública, a entidade afirmou estar profundamente preocupada com determinações judiciais que, segundo os delegados, fogem ao padrão usual dos ritos processuais e interferem diretamente no trabalho investigativo da Polícia Federal.
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De acordo com a associação, as decisões atribuídas ao ministro criam um ambiente classificado como "manifestamente atípico", capaz de gerar perplexidade institucional e comprometer prerrogativas legais dos delegados. Para a ADPF, a condução técnica, imparcial e eficiente das investigações criminais estaria sendo afetada, com riscos à elucidação completa dos fatos apurados.
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A nota ressalta que investigações federais seguem protocolos rigorosos e planejamento estratégico próprio, o que garantiria autonomia operacional à Polícia Federal. No entanto, a entidade sustenta que recentes decisões no âmbito do STF vêm reduzindo essa margem de atuação. Entre os pontos destacados estão ordens relacionadas à lacração de objetos apreendidos, ao envio de materiais para outros órgãos e até à indicação nominal de peritos responsáveis por exames técnicos - medidas que, segundo os delegados, destoam da prática institucional da PF.
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO
A tensão ganhou força após o ministro Dias Toffoli decidir concentrar no STF todas as deliberações relacionadas ao caso Banco Master, atendendo a pedidos da defesa que alegam possível envolvimento de pessoas com foro por prerrogativa de função. Com isso, diligências policiais passaram a depender de autorização direta do gabinete do ministro.
Ao final do comunicado, a ADPF defende a necessidade de restabelecer uma atuação harmônica entre as instituições, com respeito aos limites constitucionais que separam a jurisdição do Supremo Tribunal Federal da condução investigativa da Polícia Federal, evitando o que classifica como interferências indevidas no curso das apurações.
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