O convívio nas cidades costuma ser marcado por disputas silenciosas entre pressa, indiferença e responsabilidade coletiva. Em vias públicas onde circulam carros, pessoas e animais, escolhas individuais podem se transformar em atos de extrema violência, trazendo à tona debates sobre empatia, impunidade e os limites do comportamento humano.
Foi nesse contexto que a Polícia Civil prendeu preventivamente, na última terça-feira (20), um homem de 31 anos suspeito de cometer maus-tratos a animais em Encruzilhada do Sul, no interior do Rio Grande do Sul. A prisão ocorreu após a investigação reunir mensagens de áudio em que o próprio suspeito confessa ter atropelado e matado intencionalmente dois cachorros, no dia 5 de janeiro.
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Segundo os investigadores, o conteúdo extraído do celular do homem contradiz a versão apresentada inicialmente em depoimento. À polícia, ele havia afirmado que não percebeu a presença dos animais na via. No entanto, em áudios enviados a um amigo logo após o ocorrido, admite de forma explícita que os atropelamentos foram deliberados. O material foi obtido durante a apuração e teve acesso confirmado pela reportagem do G1.
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Diante das provas reunidas, o delegado Róbinson Palominio, responsável pelo caso, solicitou a prisão preventiva ao Poder Judiciário. O pedido foi analisado e acatado, com o mandado sendo cumprido no mesmo dia.
"MATO CAVALO, MATO TUDO, EU SOU PSICOPATA"
Nas gravações, o investigado relata que conduzia um veículo modelo Uno no momento do crime e descreve a ação com frieza. Em um dos áudios, afirma: "Fui fazendo strike, levantando todos pra cima. O que que eu vou fazer? Fui lá na contramão, o cachorro não quis sair, azar é o dele. Isso que é um Uno, imagina se eu dirijo caminhão. Mato cavalo, mato tudo, eu sou psicopata, um monstro, um assassino".
Em outra mensagem, ele reforça a postura violenta ao minimizar o valor da vida dos animais. "Prender cachorro ninguém quer. Aí eu passo por cima mesmo. Não foi o primeiro nem o último. Tá na rua, o que eu vou fazer? Vou parar o carro por causa de um cachorro? Eu não", diz no áudio.
CRIMES DE MAUS-TRATOS
As conversas também revelam que o amigo que recebia as mensagens demonstrou apoio ao comportamento do suspeito, incentivando o ato e ironizando possíveis consequências legais.
A identidade do homem não foi divulgada pelas autoridades. O caso segue sob investigação e reacende o debate sobre crimes de maus-tratos, responsabilidade dos tutores e a aplicação da legislação de proteção animal em situações ocorridas em espaços públicos.
VEJA A TRANSCRIÇÃO DOS ÁUDIOS ÁUDIOS:
- Áudio 1 – Amigo para o suspeito
- "Te liga só aí, os tio vão querer te pesar aí. Essas praga desses cachorros no meio da rua aí. Vão querer te incomodar ainda."
- Áudio 2 – Suspeito
- "Fui fazendo strike, levantando todos pra cima. O que que eu vou fazer? Fui lá na contramão, o cachorro não quis sair, azar é o dele. Isso que é um Uno, imagina se eu dirijo caminhão. Mato cavalo, mato tudo, eu sou psicopata. É, querem ladaia oh [nome do amigo], eles querem é ladaia. Conversa."
- Áudio 3 – Suspeito
- "Um monstro, um assassino, que é capaz de cometer qualquer coisa."
- Áudio 4 – Amigo para o suspeito
- "Hehe, cruza por cima dessas pragas tudo. Que que quer no meio da rua. Não, te mandei, não sei se tu chegar a ver, né? Tava olhando o Facebook ali. Agora vão querer te pesar aí, mandar todo mundo tomar no cu."
- Áudio 5 – Suspeito
- "Prender cachorro ninguém quer. Aí eu passo por cima mesmo. Não foi o primeiro nem o último. Tá na rua, o que eu vou fazer? Vou parar o carro por causa de um cachorro? Eu não."
- Áudio 6 – Suspeito
- "Azar, eu não tô nem aí negão. O primeiro que me apertar eu passo por cima é do cara, de Uno. Cruzo por cima."
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