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CUSTOS ELEVADOS

Petróleo dispara e ameaça preços da gasolina no Brasil

Alta global da commodity pressiona inflação e pode adiar corte da Selic

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Imagem ilustrativa da notícia Petróleo dispara e ameaça preços da gasolina no Brasil camera Aumento da inflação pode levar a cortes mais lentos ou até adiar a redução dos juros, frustrando expectativas do mercado. | Reprodução/Canva

Nos últimos dias, o preço do petróleo disparou no mercado internacional após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, acendendo um alerta mundial e também no Brasil. A commodity subiu mais de 100% desde dezembro de 2025 e acumulou 35% de alta apenas na última semana, sinalizando impactos diretos na gasolina e pressão extra sobre a inflação no país.

As repercussões já aparecem nos mercados financeiros. Em resposta a esse movimentos as bolsas asiáticas registraram quedas próximas de 6%, enquanto os índices europeus operam em forte baixa nesta segunda-feira (09). No Brasil, os efeitos ainda são mais moderados, mas economistas alertam que os consumidores podem sentir o peso no bolso nos próximos meses.

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Pressão sobre os combustíveis e a economia

A tendência é que a escalada do petróleo pressione os preços da gasolina, mas não apenas ela. Fertilizantes usados na agricultura, querosene de aviação, gás de cozinha e produtos da indústria plástica e petroquímica também podem sofrer aumento, refletindo em toda a economia e contribuindo para a alta do índice de inflação.

Além disso, o impacto da alta da commodity deve influenciar ainda mais na política monetária brasileira. O mercado financeiro aguarda há meses uma redução na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, patamar mantido desde julho de 2025.

Contudo, caso a escalada dos preços do petróleo provoque aumento da inflação, o Banco Central pode adiar cortes ou reduzir o ritmo da diminuição dos juros, frustrando parte das expectativas de investidores e consumidores.

Outro efeito direto da alta internacional do petróleo é o possível reajuste nos combustíveis pela Petrobras. A cada aumento de cerca de US$ 10 no barril, a estatal pode elevar os preços, aumentando significativamente a receita, estimada entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões.

Com isso, o governo enfrenta o dilema de repassar a alta ao consumidor, pressionando a inflação, ou segurar os preços e abrir mão de parte da receita, já que é o principal acionista da empresa. Dividendos maiores da estatal significariam mais recursos para os cofres públicos.

Apesar dos riscos, o Brasil também pode se beneficiar com o petróleo mais caro, já que é exportador da commodity. Preços internacionais mais altos aumentam a entrada de dólares na economia, melhoram o saldo da balança comercial e ampliam a receita do setor petrolífero. No entanto, como o país importa parte dos derivados, produtos essenciais podem ficar mais caros para o consumidor doméstico.

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Impactos sobre empresas e consumidores

O cenário de preços elevados ocorre em um momento delicado para empresas e consumidores, que já enfrentam juros altos. Dados do Banco Central indicam que a inadimplência em empréstimos com recursos livres chegou a 5,5% em janeiro de 2026, o maior nível desde 2017.

O setor produtivo também sente os efeitos, O agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, um aumento de 56,4% em relação ao ano anterior, segundo a Serasa Experian. Com os custos do crédito elevados e incertezas internacionais, investimentos podem continuar represados tanto para pessoas físicas quanto para empresas.

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