O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71, recebeu alta por volta das 10h desta sexta-feira (27) do hospital onde estava internado havia duas semanas, em Brasília, com broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões em decorrência de seu quadro de soluços.
Bolsonaro seguiu para sua casa, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde continuará cumprindo pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Condenado por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente estava no hospital desde 13 de março, quando foi levado ao DF Star após passar mal durante a madrugada na Papudinha. Ele saiu da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda (23).
Em comunicado divulgado na quinta (26), o hospitalinformou que ele estava sem sinais de infecção aguda e com boa evolução clínica.
Não é possível afirmar que Bolsonaro esteja curado da pneumonia, segundo afirmou o médico Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente.
"Não podemos dizer que está curado. Podemos dizer que encerrou-se a fase hospitalar", afirmou o médico. "[Agora] continua o tratamento, com fisioterapia respiratória, motora e reabilitação cardiopulmonar em casa, com um previsão de novo controle via tomografia em quatro semanas".
Caiado estimou que Bolsonaro volte ao hospital no final de abril para realizar uma artroscopia do ombro. O médico relatou que o ex-presidente estava calado hoje e disse que o humor do político oscila.
"O humor dele oscila muito com uma notícia ou outra, [com] a expectativa dele com relação ao quadro de saúde", disse a jornalistas nesta sexta-feira, após a alta. "Do ponto de vista emocional, hoje achei ele mais calado, pensativo."
A transferência de Bolsonaro novamente para casa foi autorizada na terça (24) por Moraes, que concedeu a prisão domiciliar humanitária por 90 dias. Durante o período, Bolsonaro terá de usar tornozeleira eletrônica e ficará proibido de usar as redes sociais ou de gravar áudios ou vídeos.
Transcorridos os três meses, "será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade".
Em prisão domiciliar, Bolsonaro vai voltar a conviver com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com a filha Laura, 15, e com a enteada Letícia Firmino. As únicas visitas que não foram suspensas foram as dos filhos –o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos Bolsonaro (PL) e o vereador Jair Renan (PL-SC)– e dos advogados.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, membros do PL e integrantes da pré-campanha de Flávio à Presidência afirmam que Michelle, que tentará emplacar uma série de aliadas nas eleições deste ano, vai influenciar ainda mais as decisões políticas de Bolsonaro.
A ex-primeira-dama é criticada por alguns aliados de Flávio por não ter embarcado em sua campanha. Enquanto parte dos bolsonaristas diz acreditar que a preponderância dela sobre Bolsonaro pode agravar esse racha na família, outros afirmam que, pelo contrário, Bolsonaro agora poderá agir como ponte e recompor o diálogo entre a mulher e o filho.
No caso dos filhos, os encontros devem ocorrer sob os mesmos horários e regras da Papudinha, que prevê visitas às quartas e sábados, entre 8h e 16h. Já a defesa poderá visitá-lo todos os dias, por 30 minutos, mas precisam agendar previamente com o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF.
Por esse motivo, Flávio, que também é advogado, foi inscrito como parte da defesa do pai. A reportagem apurou que líderes do centrão e da direita avaliam que, em casa, Bolsonaro terá mais condições de fazer articulação política por estar mais confortável e poder conversar diariamente com o filho.
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Por outro lado, há a preocupação de que o ex-presidente amplie a interferência na campanha do senador —e a influência sobre o filho— e acabe dificultando a formação de acordos sinalizados pelo senador. Integrantes de partidos de direita também temem que Bolsonaro se exceda nas conversas políticas e dê alegações para que Moraes resolva determinar novamente sua prisão.
Os médicos também têm livre acesso para entrar na casa do ex-presidente, sem necessidade de autorização prévia. Estão autorizados: Brasil Caiado; o cirurgião-geral Cláudio Birolini; o cardiologista Leandro Echenique; o dermatologista Erasmo Tokarski; e Luciana Tokarski, da clínica Dr. Erasmo Tokarski.
O fisioterapeuta Kleber de Freitas também poderá realizar sessões com Bolsonaro às segunda e quintas-feiras e aos sábados, das 19h30 às 20h30.
Bolsonaro foi levado preso para a superintendência da PF em novembro de 2025, quando cumpria prisão domiciliar, após tentar romper sua tornozeleira eletrônica. O ex-presidente alegou ter tido um surto e uma crise de paranoia. Posteriormente, acabou sendo transferido para a Papudinha.
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