Casos envolvendo segurança em ambientes de pesquisa científica costumam acender alertas não apenas na comunidade acadêmica, mas também entre autoridades de saúde e investigação. Quando esse tipo de ocorrência envolve materiais biológicos sensíveis, o rigor na apuração se torna ainda maior.
Uma investigação envolvendo o possível desvio de material biológico em um dos principais centros de pesquisa do país colocou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no centro das atenções. Segundo informações divulgadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, ao menos 24 cepas de vírus teriam sido retiradas de um laboratório da instituição e levadas para outro espaço dentro da própria universidade.
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Entre os materiais transportados estão variantes de vírus como dengue, chikungunya, zika, herpes e coronavírus humano. Também foram identificadas cepas do vírus Epstein-Barr, além de outros agentes menos conhecidos e cerca de 13 tipos de vírus que afetam animais.
O desaparecimento das amostras foi percebido na manhã de 13 de fevereiro, no Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp. Parte do material acabou sendo localizada posteriormente em um laboratório da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), dentro da mesma universidade.
Uma professora da FEA, identificada como Soledad Palameta Miller, é suspeita de envolvimento no caso e foi presa nesta semana. De acordo com a investigação, ela teria transportado as cepas entre os laboratórios. Há indícios de que parte do material possa ter sido levada para outros locais ainda não identificados.
O marido da docente, Michael Edward Miller, estudante de doutorado no Instituto de Biologia, também é citado na apuração como possível participante na retirada das amostras. Imagens de câmeras de segurança mostram ele acessando o laboratório em diferentes dias e horários, inclusive à noite, carregando objetos. O casal também teria frequentado o local fora do expediente desde novembro de 2025.
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Ainda conforme as investigações, após a operação da Polícia Federal, a professora teria ido a um laboratório vizinho, onde mais amostras estariam escondidas sem o conhecimento dos responsáveis. No local, ela teria descartado materiais biológicos e alterado rótulos e identificações.
A Polícia Federal apura se as cepas seriam utilizadas em uma empresa de biotecnologia ligada ao casal, além de investigar a possível participação de outras pessoas no transporte e armazenamento do material.
A defesa dos envolvidos não comentou o caso. Em nota, o advogado informou que não irá se manifestar devido ao sigilo judicial decretado no processo.
Por sua vez, a Unicamp afirmou que o episódio é considerado isolado e resultado de circunstâncias atípicas. A universidade destacou que o Laboratório de Virologia Animal segue protocolos rigorosos de segurança e opera sob nível de biossegurança 3 (NB-3), classificação que exige alto controle e contenção biológica.
A instituição também informou que não há organismos geneticamente modificados entre as amostras envolvidas e que, ao tomar conhecimento do caso, acionou imediatamente a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que permitiu a rápida localização de parte do material.
Uma sindicância interna foi aberta, enquanto as autoridades federais seguem investigando as motivações do suposto desvio e o possível envolvimento de outras pessoas. A universidade reiterou seu compromisso com a segurança, a pesquisa científica e a produção de conhecimento.
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