Imagens de uma câmera corporal da Polícia Militar registraram o momento em que a soldado Yasmin Cursino Ferreira é questionada por um colega após atirar e matar uma mulher na zona leste de São Paulo. O vídeo foi obtido e divulgado pela TV Globo na última quarta-feira (8).
As gravações são da câmera acoplada ao uniforme do soldado Weden Silva Soares, que dirigia a viatura no momento da ocorrência. Yasmin, segundo a corporação, não utilizava o equipamento por ser recém-formada e estar há cerca de três meses em patrulhamento.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- Vídeo: PM é filmado dando chutes em rosto de mulher em São Paulo
- Vídeo: mulher é morta com tiro na cabeça por cabo da PM em Belém
De acordo com as imagens, a confusão teve início na madrugada da última sexta-feira (4), na rua Edimundo Audran, após o retrovisor da viatura atingir um homem identificado como Luciano Santos, marido da vítima, Thawanna Salmázio, de 31 anos. Durante a abordagem, Soares questiona o homem: “A rua é lugar para você estar andando?”. Em seguida, Thawanna passa a confrontar os policiais, momento em que Yasmin desce da viatura e se aproxima dela.
Segundos depois, um disparo é ouvido. Soares então pergunta à colega: “Você atirou? Você atirou por quê?”. A policial responde: “Ela bateu na minha cara”. O suposto tapa, no entanto, não aparece nas imagens.
Ao fundo, é possível ouvir o desespero do marido da vítima, que tenta reagir e entra em confronto com os agentes. Soares aciona o socorro via rádio, mas, segundo o vídeo, o resgate demorou mais de 30 minutos para chegar. Nesse intervalo, outras viaturas prestaram apoio e tentaram realizar os primeiros socorros.
“A mina tá baleada, a ‘fox’ atirou”, relata Soares a um superior. Enquanto isso, Thawanna agoniza: “Ai, tá doendo”, diz. O policial orienta que ela permaneça calma até a chegada da ambulância, enquanto Yasmin pergunta reiteradamente sobre o socorro. Em determinado momento, agentes comentam que os lábios da vítima estavam ficando pálidos.
Durante a ocorrência, Soares chega a alertar a colega: “Não era para ter atirado”, e dá orientações sobre como ela poderia ter agido. Em seguida, afirma: “Relaxa, agora já foi”. A arma utilizada por Yasmin foi apreendida no local.
Quer mais notícias do Brasil? Acesse nosso canal no WhatsApp
No sábado (5), a soldado foi afastada das atividades. Ela é alvo de um Inquérito Policial Militar e também é investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso é apurado com “prioridade absoluta” pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. As imagens e laudos periciais já foram incorporados à investigação.
Comoção e protestos
O corpo de Thawanna Salmázio foi velado sob forte comoção na zona leste da capital. Mãe de cinco filhos menores de idade, ela era descrita por familiares como uma pessoa alegre e querida na comunidade. Segundo relatos, ela completaria 32 anos no dia seguinte ao ocorrido.
A morte provocou protestos na região, especialmente no bairro de Cidade Tiradentes. Moradores bloquearam vias com pneus e madeiras em chamas, em manifestação contra a violência policial. Na noite de sexta-feira, equipes da Polícia Militar utilizaram balas de borracha e gás de efeito moral para dispersar os manifestantes em pelo menos duas vias do bairro.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar