Em meio a agendas internacionais e compromissos diplomáticos na Europa, uma tensão inesperada entre Brasil e Estados Unidos passou a ocupar o centro do debate político nesta terça-feira (21). A possível expulsão de um delegado da Polícia Federal em território americano provocou reação imediata do governo brasileiro e levantou questionamentos sobre os limites da cooperação entre os dois países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode adotar o princípio da reciprocidade caso seja confirmada alguma irregularidade na decisão dos EUA. A declaração foi dada em Hannover, na Alemanha, onde cumpre agenda oficial.
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GOVERNO FALA EM REAÇÃO A POSSÍVEL ABUSO
Segundo Lula, ainda faltam informações detalhadas sobre o episódio, mas a postura do Brasil dependerá da confirmação de eventual abuso contra o agente brasileiro. "Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", afirmou em Hannover, na Alemanha.
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O presidente também criticou o que classificou como tentativa de ingerência por parte de autoridades americanas, ressaltando que o país não aceitará esse tipo de postura.
ITAMARATY PEDE ESCLARECIMENTOS
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, adotou tom mais cauteloso e afirmou que o governo ainda aguarda explicações formais. Segundo ele, as informações divulgadas até o momento não têm fundamento confirmado. "Não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas", explicou.
Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou que o delegado atua há mais de dois anos nos Estados Unidos em missão oficial de cooperação internacional, com atividades conjuntas com autoridades locais em Miami.
ACUSAÇÕES PARTEM DO GOVERNO AMERICANO
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA declarou, em rede social, que solicitou a saída do agente brasileiro sob a alegação de que ele teria tentado contornar processos formais de extradição para promover perseguição política.
A gestão do ex-presidente Donald Trump afirmou que não permitirá o uso do sistema de imigração para esse tipo de ação, embora não tenha citado nomes diretamente na publicação.
DELEGAÇÃO ATUAVA EM COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
O alvo da medida seria o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao serviço de imigração americano em Miami desde 2023. Sua permanência no país havia sido prorrogada até agosto deste ano.
Nos bastidores, a decisão americana estaria relacionada à recente detenção do ex-deputado e ex-chefe da Abin no governo de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem, ocorrida em Orlando na semana passada. Considerado foragido pela Justiça brasileira após condenação no Supremo Tribunal Federal, Ramagem foi preso e liberado dois dias depois.
A Polícia Federal afirmou que a ação foi resultado de cooperação internacional entre os dois países, o que torna o episódio ainda mais sensível no campo diplomático.
CRISE DIPLOMÁTICA EM POTENCIAL
O caso abre um novo capítulo de tensão entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no âmbito da cooperação policial e jurídica. Enquanto o governo brasileiro aguarda esclarecimentos oficiais, o discurso de reciprocidade sinaliza que a resposta poderá ir além do campo diplomático, caso as acusações se confirmem.
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