Uma série de desaparecimentos registrados na Rota Ecológica dos Milagres, no litoral norte de Alagoas, tem mobilizado as forças de segurança do estado nos últimos dois anos. Entre 2024 e 2026, 21 pessoas foram dadas como desaparecidas na região, conhecida pelas praias e pelo forte apelo turístico. Desse total, sete foram encontradas mortas, enquanto outras 14 continuam desaparecidas.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), as investigações indicam que os casos estão majoritariamente ligados ao crime organizado. As apurações descartam qualquer relação com o turismo local e apontam para conexões com facções criminosas e o tráfico de drogas, incluindo movimentações interestaduais.
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Segundo o secretário-executivo da SSP-AL, coronel Patrick Madeiro, em entrevista ao portal Metrópoles, contou que há indícios de que as vítimas tinham algum tipo de envolvimento com atividades ilícitas. “A maioria dos casos está associada a disputas internas do tráfico de drogas, com pessoas que entram e saem da região com esse objetivo”, afirmou.
Casos começaram a crescer em 2024
Os desaparecimentos passaram a chamar a atenção das autoridades em 2024, quando houve um aumento considerado atípico nos registros: cinco pessoas desapareceram apenas naquele ano. Diante da escalada, a Polícia Civil criou uma coordenação específica para investigar os casos.
O delegado Ronilson Medeiros, responsável pela Delegacia de Desaparecidos, informou que o grupo especializado foi fundamental para centralizar as investigações e identificar possíveis conexões entre os casos.
Entre os desaparecidos, apenas uma é mulher, identificada como Maria Vitória Chaves da Silva. A maioria das vítimas é natural de Alagoas, mas há também registros de pessoas oriundas de estados vizinhos, como Sergipe e Pernambuco.
Ligações com facções criminosas
Ainda segundo a SSP-AL, todos os desaparecidos apresentavam algum tipo de vínculo com o universo criminal, seja por antecedentes, dívidas com o tráfico ou convivência com integrantes de organizações criminosas.
As investigações classificam os casos em diferentes contextos, como disputas por território, rivalidade entre facções, suspeitas de delação, descumprimento de regras internas e presença em áreas dominadas por grupos rivais.
Entre as organizações identificadas com atuação na região estão o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, além de grupos locais aliados a essas facções, como a Tropa do Kebinho, Trem Bala do CV e Tropa dos Crias.
Possíveis desfechos investigados
As autoridades trabalham com duas principais hipóteses para os desaparecimentos: a de que as vítimas tenham sido mortas em decorrência de disputas internas do crime organizado ou que estejam foragidas, rompendo vínculos para evitar represálias.
“A ausência de corpos e de qualquer contato com familiares permite essas duas leituras: tanto a de mortes violentas quanto a de fuga deliberada como estratégia de sobrevivência”, explicou Patrick Madeiro.
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Segurança reforçada na região
Apesar da gravidade dos casos, a SSP-AL reforça que as forças de segurança atuam de forma ostensiva em todo o território alagoano. Segundo o secretário, não há áreas onde a polícia não tenha acesso.
“As forças de segurança têm total presença no estado. Esses indivíduos que eventualmente cometeram crimes acabam enfrentando consequências”, afirmou.
As investigações seguem em andamento, com o objetivo de esclarecer os desaparecimentos e identificar possíveis responsáveis pelos crimes.
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