Com o fim da patente da semaglutida, em março deste ano, o mercado de medicamentos para obesidade no Brasil entra em uma nova fase, marcada pelo avanço dos genéricos e pela expectativa de maior acesso ao tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já soma 25 pedidos de registro envolvendo semaglutida e liraglutida, substâncias da classe dos análogos do GLP-1. Apesar do volume, menos da metade dessas solicitações teve a análise iniciada.
A movimentação regulatória já vinha sendo antecipada. No segundo semestre de 2025, a Anvisa publicou um edital para acelerar a avaliação de medicamentos dessa categoria. Em atualização divulgada no dia 13 de abril, o total de pedidos relacionados às duas substâncias era de 23.
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Entre os processos, 17 são específicos para a semaglutida. Segundo dados obtidos pelo InfoMoney, via Lei de Acesso à Informação, nove ainda aguardam o início da análise. Os demais, já em andamento, registraram avanços ao longo do último mês.
Demanda reprimida e expectativa no SUS
A possibilidade de ampliação da oferta com a entrada de genéricos reforça a expectativa de maior acesso aos tratamentos. Um levantamento realizado pela plataforma TIM Ads, realizado entre 19 e 24 de março com 39,6 mil participantes, aponta que 55% dos entrevistados afirmam que procurariam o tratamento caso ele fosse disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O estudo também evidencia barreiras relevantes. Mais da metade dos entrevistados (51%) nunca utilizou medicamentos injetáveis para emagrecimento, principalmente devido ao custo. Ainda assim, 38% consideram a possibilidade de iniciar o tratamento no futuro, mesmo com pagamento direto.
Entre os fatores que influenciam a decisão, o custo aparece com peso de 14%, ao lado do receio de agulhas e da ausência de acompanhamento médico. Atualmente, apenas 22% dos participantes têm acesso a esse tipo de tratamento, o que indica uma demanda reprimida que pode ser parcialmente atendida com a ampliação da oferta.
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Esse cenário de maior interesse pelos medicamentos ocorre em paralelo a uma relação complexa dos brasileiros com alimentação e peso. Segundo a pesquisa, 71% consideram adotar uma alimentação saudável, mas 35% demonstram insatisfação com o próprio peso e desejo de emagrecer. Além disso, 67% afirmam querer mudar a relação com a comida e 64% dos entrevistados já realizaram dietas ou tratamentos com esse objetivo.
O levantamento foi feito em território nacional e concentra 66% das respostas no público entre 18 e 35 anos. O resultado reforça a perspectiva de redução de preços e de transformação do interesse da população em acesso efetivo ao tratamento.
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