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Jornada 6x1 amplia desigualdade e piora sobrecarga de trabalho para mulher

Ministra das Mulheres aponta impactos do modelo de trabalho na vida cotidiana e alerta para desigualdades de gênero no uso do tempo

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Imagem ilustrativa da notícia Jornada 6x1 amplia desigualdade e piora sobrecarga de trabalho para mulher camera Para as mulheres, o cenário é ainda mais desafiador. Isso porque, além do trabalho formal, muitas acumulam responsabilidades relacionadas ao cuidado da casa. | Reprodução/ Elineudo Meira Chokito / @fotografia.75

A jornada de trabalho 6x1, seis dias de atividade para um de descanso, segue como uma realidade para milhões de trabalhadores no Brasil. Contudo, para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esse modelo tem impacto direto na qualidade de vida, com efeitos mais intensos sobre as mulheres, que enfrentam uma sobrecarga histórica ligada ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.

Segundo a ministra, o problema não se restringe ao ambiente profissional. Ele se estende ao cotidiano doméstico, onde tarefas da casa e os cuidados com filhos e familiares ampliam a carga diária e reduzem o tempo disponível para descanso, estudo e participação social.

Márcia Lopes, destaca que milhões de brasileiros ainda convivem com esse modelo de jornada, considerado desgastante e limitador.
📷 Márcia Lopes, destaca que milhões de brasileiros ainda convivem com esse modelo de jornada, considerado desgastante e limitador. |Luiza Abi Saab / Ministério das Mulheres

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Na avaliação dela, a falta de tempo é um dos principais fatores que reforçam desigualdades de gênero no país. Mulheres permanecem mais expostas a jornadas prolongadas, que não terminam com o fim do expediente formal.

“Quando quase todo o tempo está ocupado pelo trabalho e pelo cuidado, o que sobra para as mulheres? Sobra cansaço. Sobra a falta de tempo para estudar, descansar, cuidar da saúde e participar da vida pública. Sobra a impossibilidade de escolher como viver o próprio tempo. É assim que desigualdades se aprofundam e se naturalizam, condenando muitas mulheres à pobreza", disse a ministra.

De acordo com o Ministério das Mulheres, esse cenário também gera impactos mais amplos, atingindo dimensões sociais e econômicas. A ausência de tempo livre limita o acesso a atividades culturais, ao lazer e à qualificação profissional, além de dificultar a inserção plena das mulheres na vida pública e no mercado de trabalho em condições mais equilibradas.

A pasta destaca ainda que o tempo não deve ser visto apenas como uma questão individual, mas também como um fator de desenvolvimento econômico. Segundo essa avaliação, mais tempo disponível estimula o comércio local, fortalece o setor de serviços e amplia o acesso ao bem-estar.

“Mas falar de tempo também é falar de oportunidades. Ter mais tempo livre significa poder usufruir do que o nosso país oferece: turismo, cultura, arte, gastronomia e espaços de convivência. Significa movimentar a economia local, fortalecer pequenos negócios e ampliar o acesso ao lazer e ao bem-estar. O tempo, portanto, também é um fator de desenvolvimento econômico e social", reforça.

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Para a ministra, o debate sobre a jornada 6x1 ultrapassa recortes de classe e envolve tamném a forma como a sociedade organiza o tempo entre trabalho e vida pessoal. Por conta disso, a discussão vai além da carga horária e alcança a distribuição do tempo na rotina diária.

A avaliação do Ministério das Mulheres é de que enfrentar esse modelo também significa lidar com desigualdades estruturais que se acumulam ao longo da vida, com maior impacto sobre as mulheres. “Garantir mais tempo é garantir mais direitos. É criar condições para reduzir desigualdades e ampliar a participação das mulheres em todos os espaços da sociedade. O futuro do trabalho precisa ser construído com equilíbrio, dignidade e justiça", enfatiza.

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